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Mostrando postagens de maio, 2015

NOS TEMPOS DA BRILHANTINA.

      T em filme que envelhece bem, permanecendo um clássico muito tempo após ser lançado, ainda que seja, ao menos a princípio, datado. Um exemplo é o filme Blues Brothers ("Os Irmãos Cara-de-Pau").  Lançado para capitalizar o sucesso do quadro de Jim Belushi e Dan Akroyd no programa Saturday Night Live , a película acabou alcançando dimensões muito maiores do que a originalmente planejada, se tornando um sucesso mundial e provocando um renascimento (ou surgimento) do interesse pelo rhythm and blues e pela soul music entre os jovens e apreciadores de música em geral. O utros são tão oportunistas - ou aparentam ser - que, desde o lançamento, são considerados lixo,  trash-movies . Muito criticados no momento em que ganharam as telas dos cinemas, adquirem respeito e alguma condescendência com o passar dos anos. O exemplo ideal deste tipo de filme seria Saturday Night Fever , o nosso "Embalos de sábado à noite". Revisto hoje em dia, seu simplismo e apa...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - THE 4 SKINS & THE BAND OF HOLY JOY.

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA   é o nome de uma coluna que mantive durante alguns anos em um jornal. Nele eu resenhava discos que não eram obviedades nem lançamentos. A coluna era lida (e elogiada) por alguns nomes do rock nacional. The Band Of Holy Joy - Manic Magic, Majestic (1989) -  Havia um anjo na gravadora Stiletto , famosa na segunda metade dos anos 80 por lançar por estas plagas, discos de grupos que, de outra forma, nunca teriam seus trabalhos lançados por aqui.   E não foram poucos.  Nomes como The Fall , Felt, Nick Cave e A Certain Ratio  foram apenas alguns com que a gravadora Stilleto nos brindou, com o que estava sendo feito de melhor na música naquele momento.  E se como só lançá-los não fosse suficiente, ainda nos presenteava com capas que chegavam a ser mais luxuosas que as originais (caso do disco "Force" do A Certain Ratio ), algo nunca visto em um país acostumado a lançamentos mutilados e/ou pouco cuidados. C omo o que é bom sempre dur...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - BOA NOITE, RINGO STARR.

RINGO STARR - Goodnight Vienna (1974) - Por ser a própria personificação do  clown  em sua antiga banda,  a carreira solo do ex-baterista dos Beatles nunca foi levada muito a sério,  o que realmente é  e foi uma pena.  Os discos de Ringo Starr  sempre foram citados de forma jocosa e acintosa, como se fossem extremamente inferiores aos trabalhos de seus outros companheiros de banda.  Sem nenhum dogma a ser mantido, nem reputação a ser preservada,   Starr gravou o que quis e quando quis,  produzindo álbuns despretensiosos,  recheados do melhor rock and roll e boogie-woogie.              E m 1974, Ringo saboreava o surpreendente sucesso de seu lp do ano anterior,  um disquinho de rock and roll,  vendido em uma embalagem luxuosíssima, chamado simplesmente de "Ringo" .  O sucesso mundial de sua "Oh My My" ,  pela primeira vez,  o pôs em uma situação incomum:  A res...

IAN CURTIS: UM MÉTODO PARA O ATO FINAL.

E m 18 de maio de 1980, um domingo,  no final da tarde, o músico e poeta inglês Ian Curtis , vocalista da banda Joy Division ,  era encontrado morto na  cozinha de sua casa.  Na vitrola, a agulha ia e vinha se debatendo contra o rótulo do disco. O disco era The Idiot , primeiro álbum solo do roqueiro norte-americano Iggy Pop .  No vídeo cassete, o filme Stroszek ,  do cineasta Werner Herzog , encontrava-se para fora do aparelho e sem rebobinar.  Strozek contava a história de um homem que preferiu se matar a ter que escolher entre duas mulheres.  Aparentemente foram estes o último filme e o último disco que Ian Curtis viu e ouviu antes de morrer. S ua banda havia acabado de lançar um segundo disco, de ares ainda mais sombrios que o primeiro, com o título revelador de “Closer” (mais perto).  Para a capa do LP, o artista gráfico Peter Saville havia fotografado túmulos, a  pedido do cantor.  Havia uma tournée norte-americana mar...

MCCARTNEY II: O MELHOR DISCO RUIM DO MUNDO.

McCartney II não é,  nem de longe,  o melhor disco de  Paul McCartney .  Ao contrário,  é um verdadeiro teste de resistência para qualquer  fã do ex-beatle.  Se o fã conseguir passar incólume  pelas 12 faixas do álbum, sem pular nenhuma, parabéns  a  ele, este é um verdadeiro “McCartneymaníaco”. N ão é que o disco seja  ruim, porque não é ruim mesmo.  A questão é que é experimental e pessoal demais.   Paul McCartney   gravou o disco ainda aborrecido com a má recepção de seu último lançamento com os Wings , o excelente Back To The Egg e   a prisão no Japão por porte de “MacConha”.  Completamente sozinho,  no estúdio que mantinha em sua casa, Paul tocou todos os instrumentos e, fora alguns backing vocals aqui e ali da sua musa Linda, trata-se de um disco quase esquizofrênico (vide a conversa com ele mesmo no início do blues On The Way ). McCartney II foi lançado em 16 de maio de 1980, há exatos ...

A HORA E A VEZ DAS GORDINHAS GOSTOSAS.

D a noite para o dia,  as paradas musicais dos Estados Unidos foram tomadas de assalto por uma nova voz.  A canção, pop e pegajosa como toda boa canção pop deve ser, rapidamente chegou ao primeiro lugar, sendo a mais tocada em todo o país ainda  na semana de lançamento. “(I’m) All  about that bass”,  que,  em uma tradução muito  livre, significaria algo   como “sou mesmo uma gordinha gostosa” , trata de um assunto bastante pertinente para as mulheres na atualidade:  De como uma mulher pode ser gordinha  e ser desejada justamente por ser assim. A música faz um trocadilho com as ondas sonoras graves (“bass”), que são, digamos, “gordinhas”, e as ondas agudas que ela rejeita (“no treble”).  Uma riff de contrabaixo (também “bass” em inglês) segura a canção, enquanto a cantora afirma que é “all about the bass”. Então, não dá mesmo para fazer uma tradução literal do título. Mas a ideia que ela quer passar é mesmo a de que não vale...

OS BICHINHOS DE PELÚCIA DO GLAM-PUNK.

A história dos Cuddly Toys começa como qualquer outra história sobre  adolescentes e bandas de rock and roll.  Garotos de classe média baixa,  entediados e  revoltados , todos colegas de escola, resolvem formar um conjunto musical para passar o tempo, se divertir e, se der,  pegar algumas garotas. O cenário é que talvez faça alguma diferença: Era a Londres de 1976, em plena crise de desemprego e recessão. O punk rock era a trilha sonora de todo aquele desencanto  e  e era muito natural que estes meninos também  aderissem ao movimento.  Até porque não sabiam mesmo tocar  e  só o punk os receberia com a indulgência necessária para a óbvia indigência musical daqueles rude boys ingleses. B atizaram a nova banda como Raped (Violentados)  e, ainda assim, com um nome tão forte , conseguiram assinar com a nanica gravadora Parole Records e lançar um  ep de estreia com o ainda mais terrível título de "Pretty Pedophil...

BOM CHÁ DE HERVA DOCE - PARTE II

D urante o ano de 84, o Herva Doce solta mais uma regravação,  desta vez da música “O Pica-Pau”, para uma coletânea de música infantil.  Haviam mudado de gravadora, indo para a RCA, e, para que se mantivessem na mídia, o produtor Miguel Plopschi sugeriu esta participação.  “O Pica Pau”, originalmente uma obscura canção de Renato Barros gravada por Erasmo Carlos na jovem guarda, tentava, mais uma vez, repetir o sucesso de  Erva Venenosa. E m 1985, o Herva Doce finalmente retorna ao disco, agora como um quarteto, e mais uma vez estoura  uma música no rádio.  “Amante Profissional” pegou o Brasil literalmente de assalto.  Da noite para o dia, a banda tinha mais um  mega-hit.   C onfesso que, ao ouvir “Amante Profissional”  pela primeira vez, senti uma enorme decepção.  A canção - foi minha primeira impressão - passava bem  longe da qualidade do material dos dois primeiros discos.  Temi pelo que iria encontrar nos s...

BOM CHÁ DE HERVA DOCE - PARTE I

Q uando eu ouvi aquele petardo  de três minutos tocando no rádio em 1982, ainda mais cantado em português, eu literalmente enlouqueci.   Aquilo era muito, mas muito bom mesmo, e fez minha coleção de discos envelhecer  256 anos em 2:56 segundos. A quela canção era uma verdadeira pérola pop, breve e fugaz como as boas canções devem ser. “Volta meu bem”, a faixa em questão,  trazia todos aqueles elementos que faziam a “niueive” ser a música velha mais moderna daquele tempo: Refrão pegajosíssimo cantado em falsete, letrinha tatibitati, melodia bem construída e aquele indisfarçável toque de The Police que toda boa  (ou má) banda nacional dos anos 80 não podia passar sem.  E, ao final daquela bela trinca de minutos, quando o locutor anunciou o nome da banda,  Erva Doce,  eu tive a  certeza de que havia descoberto alguma coisa  realmente nova e muito boa. E u saberia depois,  a grafia correta do nome do grupo era  “Herv...