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Mostrando postagens de fevereiro, 2015

TUDO QUE EU PRECISAVA: A BIOGRAFIA RESUMIDA DO THE CARS.

O s fãs do  Television têm motivos de sobra pra odiar os The Cars . Oriundos de Boston , que é para Nova Iorque , mais ou menos, o que Braga é para a cidade do Porto ou Niterói é para o  Rio de Janeiro , os  Cars chegaram à "grande maçã" (Nova York) com uma enorme disposição de fazer sucesso. Afinal, a banda já existia há 7 anos em 1979 e nunca havia sentido nem de longe o gostinho do estrelato. Foi quando um olheiro da Elektra assistiu um show do grupo e percebeu que a proposta musical era muito próxima à de uma outra banda na qual a gravadora investiu muito e não obteve grandes resultados. Lidar com o ego de Tom Verlaine , líder do  Television , não era nada fácil e o som pop-progressivo da "nova" banda era muito próximo do deles, com a vantagem de soar bem mais comercial. N a semana seguinte, o  Television estava sumariamente demitido da Elektra,   após dois retumbantes fracassos comerciais, os excelentes Marquee Moon e Adventure . The Cars...

O ROCK DO CAMALEÃO - AS BANDAS QUE MUDARAM DE ESTILO (PARTE I).

I maginem um grupo de música negra, bastante famoso, como por exemplo, o  Kool & The Gang,   que resolve mudar a direção musical  sei lá, para a bossa-nova ou para o reggae. Ou um grupo de reggae se transmutando, quem sabe,  em uma banda de funk. Pois é, é quase impossível que algo assim aconteça. A não ser que a banda em questão seja uma banda de rock.  Aí, tudo é possível e só o céu é o limite para tanta indecisão. Sou gótico ou sou headbanger ? Punk ou bossa-novista ? Sou new-waver ou salseiro de quinta ? É sobre as mudanças "inacreditáveis" que algumas de nossas mais prestigiosas bandas já passaram , que vamos tratar aqui. NAKED - Talking Heads (1989) - O s Talking Heads, desde sempre, foram muito indecisos quanto ao próprio direcionamento musical. Começaram como uma banda punk (no sentido nova-iorquino da coisa) no início da carreira. Lançaram um disco experimental sem sintetizadores e outro ainda mais experimental, entupido de sinteti...

O DIA EM QUE O U2 FALIU UMA BANDA.

Q uando o grupo norte-americano Metallica , em sua ensandecida luta contra o Napster, no início do milênio, chegou a impedir fãs de terem acesso a Internet, certamente achou que estava lutando contra uma minoria de piratas virtuais conspirando para lhes tirar parte do enorme quinhão de dólares que forra suas contas bancárias. Nos EUA, onde ocorreu o impedimento judicial, um fã tem muito mais possibilidades de assistir a um dos caríssimos shows da banda, e certamente, quem passou um ano proibido de acessar a web, fez questão de não dar nem mais um dólar ao grupo de Lars Ulrich . Pior fez quem, mesmo não sendo impedido de ter acesso ao mundo virtual, se sentiu muito indignado com o fato e se solidarizou com os outros fãs. Eu mesmo só não deixei de ser fã do Metallica por um simples motivo: nunca gostei muito mesmo da banda. J á o U2 , banda tão envolvida em causas sociais, tão "do bem" que esquece até de fazer música para praticar boas ações, sempre deu declarações a ...

JOE STRUMMER, UM COMBATENTE DO ROCK.

J oe Strummer nasceu em 1952, em Ancara, na Turquia. Filho de um diplomata, John Graham Mellor, - seu nome verdadeiro - nunca se rendeu à sua boa condição financeira e desde a adolescência se interessava fortemente por questões sociais. Em 1972, fundou o grupo The Vultures , onde cantava covers de clássicos do rock e rhythm and blues. A banda tinha apenas um único número original, "Country Boy At Heart", que muitos anos depois, serviria de base para "Death Is a Star" , canção que encerra o lado B do álbum "Combat Rock", dos  The Clash . E m 1974, aos 22 anos, fundou a banda  The 101 All Stars , logo rebatizada como The 101'ers . O nome era uma referência ao endereço do "cafofo" onde os integrantes do grupo moravam. O som dos 101'ers era uma espécie de pub-rock mal tocado, mas que já trazia sinais indeléveis do estilo musical que seria forjado pelo seu futuro conjunto. Nesta época, Strummer atendia pelo cognome de "Woody Mellow...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA: UM CAFÉ COM DONOVAN

D onovan - Beat Café (2005) - D onovan Litch sempre foi, de forma muito injusta, considerado uma espécie de subproduto do folk-rock, um reles imitador de Bob Dylan . Enquanto Dylan caminhava seguro pela estrada de tijolos amarelos do folk , mesmo quando resolveu eletrificar sua música, Donovan sempre foi ousado em suas experimentações psicodélicas, tintinando com cores fortes e estouradas a música pop de seu tempo e abrindo espaço para o bubblegum dos anos 70, com suas melodias grudentas e se firmando como grande influenciador de grupos ingleses dos anos 80, como The Cure.   D urante 1975 e 2005, Donovan permaneceu recluso mas de forma nenhuma parado. Seu disco "Beat Cafe" , lançado em 2005, é a prova maior disso. Donovan é mestre na arte de fazer sempre o mesmo disco e, ao mesmo tempo, recheá-lo de pequenos detalhes interessantes que o tornam inovador e diferente.  O que vemos nas 12 faixas de Beat Cafe é um disco rigorosamente preso ao...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA: O GRANDE FUNK DE 69.

O ano de 1969 foi muito importante na história da humanidade  e na música pop também não foi diferente. O movimento flower-power , já devidamente encampado pelo sistema, atingia seu auge com o festival de Woodstock , mas a tragédia de Altamont já anunciava o fim do sonho que John Lennon viria a decretar pouco tempo depois. B andas inglesas como o Black Sabbath e o Cream , e americanas, como o MC5 , os Stooges e o Grand Funk Railroad já traziam uma nova linguagem mais "violenta" e menos passiva, que viria, anos depois, a dar no que se convencionou chamar de punk rock . A base norte-americana deste novo som era a cidade de Detroit. Bandas como Amboy Dukes , os já citados MC5 e Stooges e o Cactus começavam a acontecer, alicerçados pelo sucesso de seu filho mais famoso, um certo guitarrista chamado Jimi Hendrix. D a pequena cidade de Flint , no estado de Michigan , surge uma banda que viria a ser um dos primeiros power-trios ianques, curiosamente batizada co...

CHICLETEIRO EU?

E naquele carnaval de Salvador, em 2015,  não houve um Chiclete Com Banana na avenida. Poderia ser a notícia que eu estaria esperando por toda uma vida, pois, simplesmente, não gosto da banda. Entenda-se por não gostar, não gostar mesmo. É não se salvar – para o meu gosto, claro - nenhuma música do grupo de Bell Marques . Neste ponto, gosto até mais de Pablo do Arrocha , de quem seleciono um par de canções engraçadinhas que podem ser ouvidas por mim sem grandes sinais de enjoo. Mas tolo fui eu que imaginei que a saída de Bell implicaria no fim da banda. Eis que ela ressurge agora em dobro: Cabeça e corpo, doravante, de hoje em diante, agem em separado. A liás, a solução, na verdade, é o problema: O Chiclete Com Banana não é mais o grupo de Bell Marques . A música baiana tem essa qualidade incomum, digna de um episódio da série americana Sobrenatural : Corta-se a cabeça do monstro e, em vez dele morrer, ele se duplica. E eis que agora temos dois Chicletes no carnaval...

VIVA NORATINHO, O VERDADEIRO SÍMBOLO DA FEIRA.

H á três anos, morria, aos 111 anos de idade, o cidadão feirense  Honorato Alves . Trata-se, não de um ancião longevo qualquer – se bem que uma pessoa que viva 11 décadas e um ano não é uma pessoa qualquer – mas de uma referência cultural da cidade baiana de Feira de Santana. Honorato é mais conhecido pelo seu apelido, Noratinho da Pamonha , e pelo cântico-jingle com o qual vendia suas iguarias pela cidade afora. Canto este, facilmente reconhecível por qualquer feirense de mais de 45 anos de idade. N oratinho era um microempreendedor nato. Filho de ex-escravos, alforriado pela lei do ventre livre, o menino Norato trabalhou desde muito cedo. Foi vaqueiro e dizem que era um trabalhador incansável. Comprou um pedaço de terra de um fazendeiro para quem trabalhava, plantou milho e colheu. Com o milho fabricou pamonhas, que passou a vender de porta em porta nos quatro cantos da cidade. Um verdadeiro self-made man. O produto de Noratinho vinha muito bem embalado, ...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA: TIA ALICE VAI AO INFERNO.

Alice Cooper - Goes To Hell (1976) - Só quem viveu os anos 70, pode entender - ou até mesmo assimilar - o fenômeno Alice Cooper . Tudo começou com uma banda com nome de mulher, sendo que depois o vocalista Vincent Funier tomou o nome para si e saiu em carreira-solo. Campeão de vendagens naquela década, Alice rodou o mundo com seu "circo de horrores", parando até por estas bandas, se tornando o primeiro grande artista internacional a tocar no país, com direito a tumulto durante as apresentações e tudo mais. Frequentemente confundido com um satanista, sempre fazia questão de salientar que o que fazia em seus shows era mero teatro; mas a verdade é que Cooper inaugurou o estilo "roqueiro junkie decadente" que faria sucesso nas décadas seguintes.  C erto que Alice Cooper nem era bem um junkie , no sentido usual da palavra. Sem nunca ter se envolvido muito com as drogas ditas pesadas, o roqueiro de nome andrógino se ferrou mesmo foi com a birita - que alguns con...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - SONHANDO OS SONHOS DO EVERCLEAR.

O fato de ter cortado relações - musicalmente falando - com a década de 90, ainda em seu amanhecer, fez com que eu deixasse de ouvir muita coisa chata e barulhenta vinda da terra do Tio Sam, ou de algumas outras terras, coisas igualmente chatas e modorrentas, oriundas notadamente da terra da Rainha. Mas tamanho radicalismo em não querer ouvir nada que tivesse sido produzido nestes anos fez com que eu deixasse de conhecer mais cedo a banda que corre o risco de ser a melhor dos anos 90 e até mesmo da atualidade. E u fiz questão de grifar a frase para evitar polêmicas inúteis. Tudo bem se você acha o Oasis , os Strokes , o Xiu Xiu ou qualquer outra coisa, a melhor banda do mundo. Perdoe-me, eu acho isto do Everclear . É isto mesmo que você leu. O power-trio do Oregon já há algum tempo vem me conquistando a cada lançamento, e, de mais a mais, posso acompanhar o crescimento da banda em tempo real, agora, já. Seu mentor intelectual e líder da banda, é o filho de imigrantes grego...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA: TOYS IN THE ATTIC - AEROSMITH.

Aerosmith - Toys In The Attic (1975) - E ste é o disco preferido de Michael Stipe , vocalista do REM. Esta resenha bem poderia parar por aqui, mas a importância do Aerosmith para o rock dos anos 70 faz deste disco um resumo do que foi a era do hard rock setentista . Um LP que bem poderia estar em uma nave espacial carregada de ícones culturais de diversas décadas.  E m seu período de validade, quando era uma banda "hypada", o grupo não era levado à sério pela crítica, que enxergava em seu vocalista, Steven Tyler , um mero clone de Mick Jagger . Entre os músicos, a fama da banda também não era das melhores. David Johanssen , vocalista dos New York Dolls acusava Tyler de ter se oferecido para abrir uma audição da banda para a Columbia e roubado-lhes o contrato ( Tyler chegou a ser expulso, aos gritos, por Bebe Buell , mãe de Liv Tyler , do velório de Johnny Thunders , guitarrista dos Dolls ).  S ó restava mesmo o sucesso de público e o público enchia muito a bola do g...