Volta e meia me deparo com o espanto de gente de esquerda diante da figura do “pobre de direita”. Existe até um livro do respeitadíssimo sociólogo Jessé Souza intitulado justamente O Pobre de Direita , no qual o autor chega a classificar como “bastardos” os pobres que optam por tal posição ideológica. Veja bem: se um dia eu acreditasse que sou uma pessoa de direita, estaria, mais do que nunca, enganando a mim mesmo. Os valores da direita não são, absolutamente, os meus. Acontece que os da esquerda também não são e eu, como muitos brasileiros, acabo vivendo num limbo em que esquerdistas me chamam de fascista e direitistas me rotulam de esquerdopata. Mas isso é natural. É apenas o preço que se paga por pensar fora de caixinhas ideológicas previamente montadas. Porém, o assunto deste texto não sou eu. É o pobre. E o pobre de direita — esse “bastardo”, como o chama Jessé Souza. Em primeiro lugar, desmontando uma narrativa comum da esquerda: O pobre, em muitos aspectos culturais, é pro...
Renato Jorge Araujo