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Mostrando postagens com o rótulo Música

(A história da música) Gigante.

Q uando eu me separei da primeira esposa, eu estava exatamente como Zeca B aleiro se descreveu na música Telegrama : " T ristinho", " s ozinho" e "mais solitário que um paulistano".  No primeiro aniversário que passei separado, visivelmente depr imido, uma amiga saiu comigo e me levou a um shopping para comprar o presente que ela queria me dar "para me animar": Um DVD da sua banda preferida, os "Los Hermanos". N ão bastasse eu, simplesmente, detestar a banda de Camelo e Amarante -  à exceção de "Anna Julia", uma baita música , da qual gosto até hoje - , ainda que imbuída das melhores intenções, a minha amiga pretendia me "animar" me dando de presente a trilha perfeita (para mim) para um suicídio. Diga-se o que quiser dos Los Hermanos , mas, não há nada na obra do grupo, nem mesmo "Anna Julia",  que possa ser adjetivado como  "divertido" ou "animado". F uçando os títulos di...

Um disco por ano de vida: "Ramones" - Ramones (1976) - Parte II

Q uem quiser mesmo ter uma "experiência acústica", que vá ouvir o "Dark Side Of The Moon" do Pink Floyd . No disco de estreia dos Ramones , só há espaço para o barulho, a provocação e a velocidade. São faixas curtíssimas, praticamente emendadas umas às outras, todas muito rápidas e sem firulas.  N ão há espaço aqui para floreios de baixo ou solos de guitarra. O álbum chegou a estar entre os 120 discos mais vendidos no mês de lançamento e só. Dali em diante, Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy  inciariam uma "conquista da América" que nunca acabou acontecendo de verdade. Mas inventaram, para sempre, o tal do punk rock. O lado A começa com a clássica "Blitzkrieg Bop", que lançou o famoso grito de guerra "Hey! Ho! Let's Go!".  Dois minutos e quatorze segundos depois é a vez de "Beat On The Brat", um pouquinho de nada mais longa e igualmente acelerada. "Judy Is a Punk" tem apenas 1:32 de duração e mantém o pique...

PEQUENA DISCOGRAFIA DE UM ARTISTA GENIAL.

M eu encontro com a música do maestro pop Burt Bacharach foi puramente acidental. Conhecia a sublime gravação de "Baby It's You", presente já no primeiro lp dos Beatles mas, por outro lado, não gostava muito de "Raindrops Keep fallin' On My Head", interpretada por B. J. Thomas. Assim, até adquirir um LP do artista em uma liquidação da Gioventu, uma loja de discos tradicional de Salvador que estava encerrando as atividades, eu desconhecia completamente a existência (e a essência) da música de Bacharach. D esconhecer, mesmo, é claro, não desconhecia. Desde sempre uma infinidade de músicas do maestro tocava abundantemente nas rádios, interpretadas por artistas como Dionne Warwick e The Carpenters. Quem, na faixa dos 45 aos 55 anos, nunca ouviu as consagradas gravações da dupla de irmãos para "Close To You" e/ou "I Never Fall In Love Again" com Warwick? Mas saber do quê e de quem se tratava, foi mesmo a partir deste disco. Que nem era um...

DYLAN PELOS SEUS MELHORES INTÉRPRETES.

THE BYRDS PLAY DYLAN – The Byrds (1979) - C omecei a comprar discos no final da década de 70. Como todo adolescente de classe média, ainda mais no meu caso, que era de classe média baixa, vivia sem dinheiro e o pouco que caia em minha mão torrava todo em LPs e compactos. Como a grana era pouca, remexia sempre as sessões de promoções das lojas de discos atrás de velhas novidades. Comprava basicamente álbuns de disco-music, geralmente coletâneas, abundantes após a decadência do estilo. A edição de 1979 M e interessar por rock mesmo, me interessei exatamente no início dos anos 80, quando uma enorme rede de lojas de discos da minha cidade começou a fazer água. Havia, em Feira de Santana, literalmente, uma loja da Tom Discos em cada esquina. O poderio da rede de lojas era tão grande que as lojas de Salvador não se atreviam a colocar os pés na cidade evitando abrir filiais por aqui. N ão sei exatamente o que aconteceu com a Tom Discos, mas sua falência pode estar relaci...

CANTANDO A CANÇÃO DO INIMIGO.

IF YOU WANT TO DEFEAT YOUR ENEMY, SING HIS SONG - Icicle Works (1986) -  Os fãs do moderno rock britânico, acostumados a ouvir em cada álbum de suas bandas preferidas, versões levemente modificadas da mesmíssima canção, certamente iriam se assustar com a diversidade melódica, harmônica e rítmica deste disco. Sem inventar absolutamente nada, sem fazer nenhum tipo de fusão com outro estilo, comparecendo apenas com o bom rock-pop que a Inglaterra sempre soube oferecer ao mundo, o grupo  Icicle Works  consegue surpreender a cada faixa deste belíssimo álbum. O bom gosto e o refinamento permeiam tudo que envolve esta banda e este disco, desde o seu nome,"Icicle Works", bastante poético e incomum,(um trocadilho sofisticado que envolve orvalho congelado e bicicletas de uma roda só) ao não menos inspirado título do lp, "If You Want To Defeat Your Enemy, Sing His Song" (se você quer vencer seu inimigo, cante a sua canção). A inda é digno de nota as letras inspiradas ...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - AMERICA, 10,000 MANIACS E A CERTAIN RATIO

HOMECOMING - America (1973) -  A história do grupo inglês America é um pouco confusa, a partir da naturalidade de seus integrantes. Apesar do nome, a banda é realmente inglesa, mas apesar de inglesa, seus integrantes são americanos. A solução para este mistério é até simples; Dewey Bunnell, Dan Peek e Gerry Beckley, que formavam o trio, eram americanos radicados em Londres, onde seus pais moravam.  D escobertos por George Martin, que enxergou no grupo a possibilidade de repetir o fenômeno da beatlemania, o America criou uma mistura perfeita entre o country ianque e o folk inglês, sendo hoje considerados influência por artistas do chamado movimento alt-country . Produzido por Martin, este Homecoming marca o auge da carreira da banda. No mesmo ano lançariam o insosso Hat Trick , antes do canto do cisne Holiday , de 74 e da coletânea multi-platinada Greatest Hits , que vendeu cinco milhões de cópias no mundo inteiro e elevou o America à condição de supergrupo. ...

A BANDA DE ROCK QUE OUSOU PEITAR FIDEL.

T alvez você nunca tenha ouvido falar na banda de rock cubana Porno Para Ricardo . E se não ouviu falar, é sinal de que o regime castrista, mais uma vez, conseguiu limpar a sujeira para baixo do tapete. Não exatamente para baixo do tapete, é verdade, e sim, para dentro do presídio conhecido como “5 quilos e meio”, uma das prisões onde “El comandante” trancafia quem ousa se opor a ele e a sua “revolución”. A lias, “El comandante” é o título de uma das canções mais conhecidas da Porno Para Ricardo, onde seu vocalista Gorki Áquila vomita impropérios contra aquele barbudo com um charuto na boca. No clip, disponível no You Tube, feito de forma precária, não é bem um charuto que Fidel leva à boca. Em uma outra canção, eles ensinam “como foder a um comunista”. Não deu outra e Áquila, o cantor e autor de tamanho insulto, já passou duas temporadas na cadeia por representar “perigo social” para o governo cubano. É bom saber que, pelo menos em Cuba, o rock ainda não está dom...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - ADAM & THE ANTS / THE ADVERTS

PRINCE CHARMING - Adam & The Ants (1983) -  Desde que contratou o Adam & The Ants, ainda em 1976, a gravadora Epic vinha estudando uma maneira adequada de vender o que ela julgava ser um excelente produto: a imagem pública do vocalista Adam Ant . Talvez o fracasso no mercado norte-americano se deva justamente ao fato da Epic ter se esquecido que o principal ingrediente era o que estava gravado na bolacha preta, não importa quão exótico os integrantes do grupo se vestissem ou parecessem. C omo diz na própria capa do disco, Prince Charming ("príncipe encantado" e não "charme de príncipe", como traduziu, à época, uma certa revista de circulação nacional) é o terceiro (e último, pelo menos com o nome de Adam & The Ants) disco da banda. Após um hermético álbum de estreia e um barulhento segundo trabalho, foi pedido (leia-se imposto) ao grupo que "amaciasse" o som, deixando-o mais radiofônico e palatável para as massas. M as ...

DISCOS DE VINIL E ESCOVAS DE DENTES USADAS.

U ma escova de dentes é um objeto verdadeiramente pessoal e intransferível. Certos itens de uma coleção de discos também. Da mesma forma que não há ninguém maluco o suficiente para compartilhar uma escova (ou há?), quem coleciona discos sempre terá algumas ‘escovas usadas” entre seus títulos. O colecionador passa anos garimpando item a item, comemorando cada título raro adquirido, sonhando que seus filhos herdarão e cuidarão da sua pequena ou grande coletânea, mas, no fim, sua coleção não passa de um amontoado de escovas de dentes usadas. C laro que não estou falando das coleções de discos que ultrapassam o senso estético e descambam para a comercialidade pura e simples. Há coleções e coleções. Não falo aqui dos ajuntamentos em que os colecionadores adquirem itens raros, discos fora-de-catalogo ou edições limitadas. Me refiro aos colecionadores verdadeiramente apaixonados, que amontoam nas prateleiras apenas o que gostam. Estes sim, colecionam algumas escovas de de...

MUZAK - UMA LOJA DE DISCOS EM ALTA INFIDELIDADE - PARTE II DE II.

A lgumas pessoas que eu conheço hoje se lembram muito bem de mim os atendendo na Muzak mas eu, sinceramente, não me lembro delas indo lá. Afinal, eram muitos clientes e alguns entravam mudos e saiam calados, o que dificultava a memorização. Os atendentes da loja conheciam um pouco do que estavam vendendo e tinham aquela arrogância típica dos vendedores especializados, então, não era raro que, volta e meia, algum cliente fosse vítima da mais dissimulada trollagem ou zoação , como se diz hoje. N as horas vagas, éramos especialista em colocar apelidos em alguns clientes. Alguns exemplos: Um deles, costumava ir à loja maquiado como aqueles músicos de death metal. Não deu outra, passou a ser conhecido como “King Diamond”. Havia uma dupla de clientes que só iam à loja juntos. Um era todo entusiasmado, falador, sorridente, enquanto  o outro, mais calado, parecia estar sempre meio triste e emburrado. Ganharam o apelido de “Lippy & Hardy”, em referência à hiena e o leão dos ...

MUZAK - UMA LOJA DE DISCOS EM ALTA INFIDELIDADE - PARTE I DE II.

A minha vocação para o comércio veio dos tempos da pré-puberdade. Um certo dia encontrei pela rua uma caixa de madeira que embalaria uma peça muito grande, provavelmente um motor de caminhão. Levei para casa, fiz algumas adaptações e transformei em uma banca de doces. Montei o meu pequeno negócio na garagem de casa e, para desespero de minha mãe, a coisa só fazia progredir. C hegava da escola, tomava um banho, almoçava, assistia o Agente 86 na TV e, em seguida, abria a minha banca, indo até 8 da noite. Vendia doces, revistas usadas, jornais do dia e muitos etcéteras. Levava também um pequeno estoque, na pasta, para a escola, vendendo doces para os colegas por preços mais baratos que os da cantina. Um belo dia, minha mãe, vendo que meu ímpeto comercial não iria arrefecer, me fez uma proposta literalmente irrecusável: Compraria o meu estoque pelo dobro do preço, mas eu teria que abdicar do meu pequeno comércio. E deixou bem claro: Era isto ou isto mesmo. Se eu não desistisse po...

NA BARBEARIA MUSICAL.

PELICAN WEST - Haircut 100 (1982) -  M inha história com este disco é bem curiosa. Quando eu tinha quinze anos (e todo mundo já teve quinze anos e, se não teve, ainda terá) posava perante um amigo o qual havia "catequizado" para o rock, de profundo conhecedor do assunto. Assim sendo, e como se isto fosse verdadeiramente possível, mesmo naquela época, eu me passava, como belo falsário, de "expert" em rock and roll. Era só dizer a banda. Claro que eu já conhecia. Foi assim que eu me dei mal, e justo com o grupo inglês Haircut 100. U m belo dia, visitando como de costume as "igrejas" da cidade (leia-se lojas de discos), eis que me deparo com este disco de bela capa, apesar de povoado por marmanjos. Dei uma boa olhada na arte e, vivendo em 1982, você não apostaria que esta banda faria um som bem "new wave"? Atentem para o look "niueive" do (depois eu saberia) lendário baixista Les Nemes, com direito a gravatinha amarela e ...

O CABO DE GUERRA DO BEATLE PAUL

TUG OF WAR - Paul McCartney (1982) -  Era muito comum nos anos 70 que os fãs idolatrassem merecidamente os Beatles enquanto Paul McCartney - o responsável por pelo menos 50% do sucesso e da qualidade do quarteto inglês - era tratado como uma figura menor, sem tanto talento, em detrimento de Lennon, aquele que seria "a verdadeira alma dos quatro de Liverpool". Nem tanto ao céu nem tanto à terra. E eu nem quero saber quem seria o que. Se os Beatles sem Lennon nunca teriam aquele charme rebelde de canções como Revolution, sem McCartney ficariam sem a beleza de canções como For No One e Here, There And Anywhere, além de desperdiçar experimentações pop como a "negra" Eleagnor Rigby. E isso só para ficar em um único álbum, no caso o Revolver , de 1966, que é considerado um disco mais de Lennon e Harrison do que de McCartney. J ohn Lennon lançou pelo menos um álbum solo "clássico", Imagine , de 1971. Até o simpático e leve Double Fantasy , de 19...