E m 1986 quase todos os jovens e adolescentes brasileiros queriam ser como Renato Russo. Naquele momento, em que o artista lançava seu segundo disco com a sua banda Legião Urbana, batizado com o título um tanto óbvio de “Dois”, o mundo parecia mesmo ser dos quatro rapazes de Brasília. E u tinha 19 anos e também queria ser como Renato. Aliás, eu também me chamava Renato, era feio, desengonçado, impopular com as meninas e também escrevia lá meus versos. Até tinha a minha própria banda, a Uniforme. Russo ainda não tinha assumido a sua homossexualidade e canções como “Ainda é cedo”, sobre a menina que lhe ensinou quase tudo que ele sabia, ajudou a fixar seu ideário romântico em minha cabeça saindo da adolescência de encontro ao mundo adulto. T ambém não sei se, naqueles tempos, ter sabido da homossexualidade de Renato teria mesmo feito alguma diferença para quem o admirava. Um tempo depois, quando ele lançou a ma...
Renato Jorge Araujo