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Mostrando postagens com o rótulo Cultura Pop

(A história da música) Gigante.

Q uando eu me separei da primeira esposa, eu estava exatamente como Zeca B aleiro se descreveu na música Telegrama : " T ristinho", " s ozinho" e "mais solitário que um paulistano".  No primeiro aniversário que passei separado, visivelmente depr imido, uma amiga saiu comigo e me levou a um shopping para comprar o presente que ela queria me dar "para me animar": Um DVD da sua banda preferida, os "Los Hermanos". N ão bastasse eu, simplesmente, detestar a banda de Camelo e Amarante -  à exceção de "Anna Julia", uma baita música , da qual gosto até hoje - , ainda que imbuída das melhores intenções, a minha amiga pretendia me "animar" me dando de presente a trilha perfeita (para mim) para um suicídio. Diga-se o que quiser dos Los Hermanos , mas, não há nada na obra do grupo, nem mesmo "Anna Julia",  que possa ser adjetivado como  "divertido" ou "animado". F uçando os títulos di...

O culto à bolacha preta.

E u não sou saudosista. Sinto muito. Não troco minha câmera fotográfica de 13 mega-pixels, embutida no meu smartphone , por uma câmera digital comum com a mesma configuração, quanto mais por uma daquelas tranqueiras analógicas nas quais se colocavam rolos de filmes e as fotos só eram visualizadas quando eram reveladas.  Da mesma forma, não trocarei jamais meus arquivos flac e ogg dos meus discos preferidos,  - todos catalogados e salvos em meus dois PCs, o de casa e o do trabalho, em dois HDs externos, e muito bem guardados em nuvem, para a eventualidade de serem perdidos - por um arquivo jurássico de mp3  em 128kps , quanto mais por CDs e LPs. R espeito imensamente quem pensa diferente de mim e prefere acumular pedaços de acrílico e vinil em casa a ter seus arquivos de música à mão, seja no carro, casa ou trabalho. Aliás, de fato, uma escolha não inviabiliza a outra. É perfeitamente possível conjugar as duas possibilidades. O audiófilo Ed Motta...

KEITH EMERSON: UM HERÓI IMPROVÁVEL.

O ntem,  voltei do trabalho ouvindo Emerson, Lake & Palmer no som do carro e me senti, repentinamente, triste. Na verdade, nem foi tão repentinamente assim. Passei o dia meio angustiado, reflexivo sobre as cinco décadas quase completas de idade que já se avistavam ao longe no horizonte. Mas foi quando tocaram os primeiros acordes de Take a Peeble , segunda faixa do maravilhoso primeiro disco do trio, ainda de 1970, que eu senti, de fato, a tristeza tomar conta de mim. Ainda não sabia que o líder da banda havia acabado de falecer. A lguns de meus maiores heróis - heróis de um homem sem heróis - se foram do planeta Terra em torno dos 50 anos de idade. Robert Palmer, Dee Dee, Joey e Johnny Ramone, além de Joe Strummer . E a chegada das tais cinco décadas de vida começa a me meter algum medo. Medo, nem tanto de morrer, mas de ir embora sem poder dizer que tenha sido plenamente feliz e realizado. Felicidade é uma experiência um tanto recente em minha vida e eu gostaria de...

Um disco por ano de vida: "Ramones" - Ramones (1976) - Parte II

Q uem quiser mesmo ter uma "experiência acústica", que vá ouvir o "Dark Side Of The Moon" do Pink Floyd . No disco de estreia dos Ramones , só há espaço para o barulho, a provocação e a velocidade. São faixas curtíssimas, praticamente emendadas umas às outras, todas muito rápidas e sem firulas.  N ão há espaço aqui para floreios de baixo ou solos de guitarra. O álbum chegou a estar entre os 120 discos mais vendidos no mês de lançamento e só. Dali em diante, Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy  inciariam uma "conquista da América" que nunca acabou acontecendo de verdade. Mas inventaram, para sempre, o tal do punk rock. O lado A começa com a clássica "Blitzkrieg Bop", que lançou o famoso grito de guerra "Hey! Ho! Let's Go!".  Dois minutos e quatorze segundos depois é a vez de "Beat On The Brat", um pouquinho de nada mais longa e igualmente acelerada. "Judy Is a Punk" tem apenas 1:32 de duração e mantém o pique...

Um disco por ano de vida: "Ramones" - Ramones (1976) - Parte I

A primeira vez em que eu ouvi falar dos Ramones foi em uma resenha da revista Veja para o disco End Of The Century , que havia acabado de ser lançado no Brasil. A revista comemorava o primeiro lançamento nacional da banda e os rotulava como "punks de histórias em quadrinhos", rasgando-se em elogios. Eu fiquei fascinado, do "baixo" dos meus 13 anos, e louco para ouvir aquilo. Não havia You Tube, Soulseek ou facebook e eu tive que esperar mais um pouco. F oi no Rock Special , o lendário programa de Marcelo Nova na Aratu FM , que eu, finalmente, pude, também, ouvir os Ramones . Nova tocou Chinese Rocks, Let´s Go e Do You Remember Rock And Roll Radio , exatamente nesta ordem. Em uma das minhas viagens a Salvador , passeando pela Barra , me deparei com o disco exposto em uma pequena loja. Voltei em casa, infernizei minha mãe para me dar o dinheiro e, finalmente, eu tinha um disco dos Ramones para chamar de meu. N a casa de um amigo, ouvi o P...

Mudança de comportamento - As bandas que mudaram de estilo - Parte II

I maginem um grupo de música negra, de funk e famoso, como por exemplo, o  Kool & The Gang,   que resolve mudar a direção musical  sei lá, para a bossa-nova ou para o reggae. Ou um grupo de reggae se transmutando, quem sabe,  em uma banda de funk. Pois é, é quase impossível que algo assim aconteça. A não ser que a banda em questão seja uma banda de rock.  Aí, tudo é possível e só o céu é o limite para tanta indecisão. Sou  gótico  ou sou  headbanger ? Punk ou  bossa-novista ? Sou  new-waver  ou  salseiro de quinta ? É sobre as mudanças "inacreditáveis" que algumas de nossas mais prestigiosas bandas já passaram , que vamos tratar aqui. HOT SPACE - Queen (1982) - O Queen era a banda mais previsível do mundo em seus primeiros discos. Em um certo momento, resolveu misturar seu hard rock semi-progressivo com ópera até que no alvorecer da década de 80, lançou o primoroso e pop The Game , com funk ( Another One Bites...

Dos arquivos empoeirados: Starz, a banda que fundiu o metal ao powerpop.

H á alguma coisa de muito estranha na água do estado norte-americano de New Jersey , vizinho à cidade de Nova Iorque, que faz com que as bandas de lá, por mais pop que eventualmente queiram parecer, sempre descambam, de alguma forma, para o metal. Skid Row, Bon Jovi, Overkill. Trixter, Monster Magnet e muitas outras surgiram naquele que é o estado mais urbanizado dos Estados Unidos. E m 1972, New Jersey dava ao país um hit single que chegou facilmente ao primeiro lugar das paradas. Quem ligasse a TV sem volume e se deparasse com aqueles cinco cabeludos, jamais poderia imaginar que o que estava saindo dos altos falantes era uma melodiosa canção pop. A banda era o Looking Glass e o tal hit era a canção "Brandy (You're a Fine Girl"). A faixa, apesar do sucesso local, não valia mesmo muita coisa e a banda, que valia ainda menos, acabou com a saída do vocalista Elliot Lurie. O s três membros restantes, Larry Gonsky, Pieter Sweval e Joe X recrutaram o vocalista ...

Um disco por ano de vida: "History: America's Greatest Hits" - America (1975) - Parte II

N o Brasil, a banda foi imediatamente adotada por fãs de  Sá, Rodrix e Guarabira  e do "rock rural". "A Horse With No Name", originalmente de 1971, entrou em trilha de novela e se tornou uma das internacionais mais tocadas de 1976. Anos depois, ainda presente no imaginário brasileiro, voltaria a aparecer em uma novela, curiosamente chamada "América". A dquiri a minha cópia de "History" ao final dos anos 80. Para variar, em um saldo e, para variar, também, às cegas, sem ter a mínima ideia do que estava levando para casa. Hoje é um dos 800 discos que eu levaria para uma ilha deserta. O  lado A começa com a já citada "A Horse With No Name", uma canção épica, digna de abrir um disco como este. "I Need You" é uma balada açucarada cheia de sutilezas nos arranjos, cuja estrutura lembra a de um rio que navega calmamente até desaguar na cachoeira de um refrão. "Sandman" flerta com o rock progressivo, enquanto "...

Um disco por ano de vida: "History: America's Greatest Hits" - America (1975) - Parte I - "As boas coletâneas de 75".

1 975 não representou exatamente um grande momento para o rock. Naquele ano, praticamente todos os grandes artistas lançaram álbuns menores de sua  discografia: Led Zeppelin com seu álbum duplo recheado de sobras, o Pshycal Graffiti; o Deep Purple com Come Taste The Band , John Lennon com Rock And Roll e David Bowie com Young Americans . Também foi o ano em que Lou Reed descansou e lançou um disco ao vivo e o curioso "Metal Machine Music", um álbum duplo contendo apenas camadas e camadas de microfonia. M as 75 também não foi, de forma alguma, um "ano perdido". Foi neste ano que o Aerosmith lançou seu terceiro álbum, "Toys In The Attic", que catapultaria a banda definitivamente ao estrelato, e Bruce Springsteen e Patti Smith estreariam, respectivamente, com "Born To Run" e "Horses". Também foi um ano de coletâneas caprichadas, que o tempo se encarregaria de tornar clássicas, quase tão importantes quanto os discos de carr...

Um disco por ano de vida: "Never Mind The Bollocks, Here's The" - Sex Pistols (1977)

O ano de 1977 foi tão prolífico para a música pop que até o disco de estreia do brasileiro Sidney Magal veio excelente e recheado de hits. Porém, escolher um lp para resenhar e representar este ano único - ainda que, naquele momento, eu fosse apenas um garoto de onze anos fã de disco-music - não poderia ser uma tarefa mais simples. Ainda que 77 tenha sido o ano de lançamento de discos tão maravilhosos e importantes quanto  os primeiros do The Damned, The Clash, Talking Heads e Television , é mesmo Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols, lançado em outubro daquele ano ,  o disco mais representativo daqueles doze meses. A liás, Sex Pistols é, praticamente, um sinônimo de 1977. As novas gerações não foram tão impactadas por este disco quanto poderiam ser ou deveriam e acho que, sinceramente, foi pior para eles. Talvez, se houvesse ao menos um Sex Pistols por década,  durante todos estes anos, a música não tivesse se tornado tão establishment e "bundona...

Tesouros da Juventude: "30 Greatest Hits" - The Rolling Stones (1978) - Parte II

O lado A começa energético com "Let´s Spend The Night Together", uma das mais deliciosas canções já gravadas pelos Stones. Depois, vem a igualmente apetitosa "Tell Me", uma das primeiras composições originais da dupla Jagger e Richard . "It's all over now" é um rhythm'n'blues violento de Bobby  Womack , muito bem coverizado pela banda. "Good Times, Bad Times" é um blues comum, porém com um andamento levemente quebrado que o deixa mais palatável. "Time is on My Side" é a canção monstruosa de Jerry Ragavoy que os mais incautos juram ser dos Glimmer Twins . Mas não é. Gravada um ano antes pelo trombonista Kai Widing , com a participação de Cissi Houston e Dione Warwick , a canção só estouraria mesmo no ano seguinte, com o bando de Jagger. "H eart of Stone" é uma balada sem muito brilho, enquanto "Last Time" é um rock virulento de riff repetitiva, prenúncio da fórmula que se repetiria carreira afora. ...

Tesouros da Juventude: "30 Greatest Hits" - The Rolling Stones (1978) - Parte I

A minha bíblia musical tem 30 livros. Ou melhor, 30 faixas. É um álbum duplo, batizado criativamente como " 30 Greatest Hits " e lançado por aqui, de forma bem precária em 1978, pela Som Livre, reunindo singles dos Rolling Stones entre 64 e 71, incluindo os lados B. O disco não trazia encarte, a capa mostrava uma insólita formação de seis Stones - fotos de Brian Jones e seu sucessor Mick Taylor - e a economia de papel fez com que os dois vinis se apertassem em uma embalagem de disco simples. Ainda assim, é um álbum absolutamente essencial F oi meu primeiro disco dos Stones, aliás, um de meus primeiros discos de rock. O álbum duplo  enviesado , eu comprei, pra variar, em uma promoção de uma rede de lojas em processo de falência em minha cidade e o ouvi tanto, mas tanto, que cheguei a riscar algumas faixas. Hoje em dia, quando eu ouço, por exemplo, Satisfaction , inevitavelmente lembro do momento exato em que a agulha "enganchava " e não seguia em frente, nem ...

PEQUENA DISCOGRAFIA DE UM ARTISTA GENIAL.

M eu encontro com a música do maestro pop Burt Bacharach foi puramente acidental. Conhecia a sublime gravação de "Baby It's You", presente já no primeiro lp dos Beatles mas, por outro lado, não gostava muito de "Raindrops Keep fallin' On My Head", interpretada por B. J. Thomas. Assim, até adquirir um LP do artista em uma liquidação da Gioventu, uma loja de discos tradicional de Salvador que estava encerrando as atividades, eu desconhecia completamente a existência (e a essência) da música de Bacharach. D esconhecer, mesmo, é claro, não desconhecia. Desde sempre uma infinidade de músicas do maestro tocava abundantemente nas rádios, interpretadas por artistas como Dionne Warwick e The Carpenters. Quem, na faixa dos 45 aos 55 anos, nunca ouviu as consagradas gravações da dupla de irmãos para "Close To You" e/ou "I Never Fall In Love Again" com Warwick? Mas saber do quê e de quem se tratava, foi mesmo a partir deste disco. Que nem era um...