Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2015

Um disco por ano de vida: The Doors - "Morrison Hotel" (1970)

"M orrison Hotel" ou, como se chamava originalmente, antes de ter o longo  título abreviado, "Morrison Hotel/Hard Rock Cafe", não é o terceiro e sim, o quinto disco de carreira da banda californiana The Doors . Mas, funciona perfeitamente como um terceiro disco, com todas as mudanças de direcionamento que envolvem uma banda que chega ao terceiro trabalho. T endo gravado quatro discos no espaço curto de dois anos, algo bastante comum naqueles tempos de petróleo barato - matéria prima do vinil - , criatividade em alta e bonança financeira, a banda parecia ter chegado em uma encruzilhada artística. Com o vocalista Jim Morrison respondendo processo criminal por obscenidade - teria mostrado o pênis à plateia em alguns shows - e correndo o risco de passar uma temporada na cadeia, o jeito era gravar o máximo de apresentações possíveis para o lançamento de um disco ao vivo que cobriria o período de férias forçadas pelo qual Morrison  fatalmente passaria. T antos s...

O tinhorão e o brasileiro.

T inhorão está mais do que certo, Tom Jobim é mesmo uma espécie de barriga de aluguel da música popular brasileira. Antes de mais nada, permitam-me apresentar às novas gerações o crítico de música José Ramos Tinhorão , uma espécie de Lester Bangs ultra conservador, que desafinou o coro dos contentes da bossa nova nos anos 50, e foi a pedra no sapato daqueles compositores da MPB que costumamos tratar como ídolos inatacáveis. S ó por isto, iconoclasta de carteirinha que sou, Tinhorão  já mereceria o meu respeito. Mas, além de sua língua ferina, José Ramos Tinhorão sempre fundamentou, e muito bem, as suas acusações de plágio, que não pouparam sequer Cartola e sempre tiveram em Antônio Carlos Brasileiro Jobim seu melhor alvo. A os 87 anos, José Ramos Tinhorão continua lúcido e ativo. Em 2012 escreveu um de seus mais polêmicos livros, chamado "Festa de negro em devoção de branco", sobre a influência da cultura negra nas festas religiosas do catolicismo europeu. ...

We are the f*****g world!.

N esta primeira semana de julho, o disco  We Are The World, do projeto USA For Africa , encabeçado pelos músicos norte-americanos Quincy Jones ,  Michael Jackson e Lionel Richie , e reunindo aquela que era, à época, a nata da música pop ianque,  completa três décadas de seu lançamento. Surgido como uma resposta americana ao projeto inglês Live Aid , e supostamente com as boas intenções de trazer alguma luz ao problema da fome na África, o USA For Africa sucumbiu ao excesso de ego de seus participantes. O que deveria ser a reunião de pessoas interessadas em ajudar a resolver, ou ao menos atenuar, um dos mais graves problemas do planeta, se transformou em uma insuportável batalhas de egos, uma competição para ver - ou ouvir - quem gritava mais alto.  E, após o lançamento, o disco se tornou um dos mais vendidos de seu tempo, com artistas até então pouco conhecidos no resto do mundo catapultando a sua carreira. Mas a fome no cont...

O segundo amor.

D uas mulheres são importantes para definir o que um ser humano será no futuro e como ele irá encarar o mundo pelo resto de sua vida.  Uma delas, claro, é a mãe, primeira e única, referência absoluta de todo que somos e que queremos ser. A mãe é um alicerce perfeito na vida de qualquer ser humano, o nosso primeiro amor. A sua falta deixará qualquer construção humana imperfeita. M as quero falar aqui do segundo anjo que nos aparece, assim que entramos em idade escolar: a primeira professora. Por conta de uma sociedade patriarcal, a função de professor primário, acho que nem se usa mais o termo, é, geralmente, dada a uma mulher. E é esta mulher que substituirá as mães em nossa primeira aventura fora do berço, nos preparando para abandonar o seio virtual e enfrentar o mundo lá fora. E eu tive a sorte e a bênção  de ter uma primeira professora carinhosa, da qual jamais esqueci, mesmo esquecendo como era seu rosto. Seu nome, Consuelo, jamais saiu de minha memória afetiva...

De cima do baú: Stephen Ulrich - "Sorte de Principiante" (2013)

“S orte de Principiante” é um nome forte, sonoro e inventivo, e, sem dúvida, tem aquele “o que”, aquele charme que torna os primeiros discos de grandes artistas inesquecíveis, mas não faz jus ao conteúdo do CD lançado pelo músico baiano  Stephen Ulrich , em 2013. O disco teria sido melhor denominado se chamasse “Convicção de veterano em um principiante” , tamanha a segurança e a atitude envolvidas.  M as o CD se chama mesmo “Sorte de Principiante” , que também é o nome da ótima faixa em que Stephen divide os vocais com Fábio Cascadura vocalista da banda baiana  Cascadura , em uma participação especial.  S tephen Ulrich estreou na música em 2003, como baixista da banda baiana LP & Os Compactos, passando a guitarrista logo em seguida e, finalmente, se lançando em carreira-solo, exatos dez anos depois. S e segurança e atitude sobram no álbum de estreia de Ulrich , também transparece um frescor de calouro e até mesmo uma certa ingenuidade naive , como no p...

Um disco por ano de vida: "In The Court Of The Crimson King" - King Crimson (1969)

A história do rock poderia se dividir em "antes" e "depois" de várias datas. Uma delas é 11 de outubro de 1969, quando o disco de estréia da banda inglesa de rock progressivo King Crimson enxergou a luz do dia. Naquela ocasião, o King Crimson era um grupo com apenas sete meses de existência, e a seis do seu, até então, único concerto, abrindo para os Stones no lendário Rolling Stones Free Concert , no Hyde Park, em Londres. A pesar de tudo isto, o grupo não era exatamente iniciante. Haviam gravado um disco de razoável repercussão no Reino Unido com o nome de Giles, Giles And Fripp . Inicialmente um trio, o grupo recebeu a adição de Ian McDonald e Peter Sinfield . Com a saída de um dos Giles , o Peter , e a chegada do vocalista Greg Lake ,  já não havia mais sentido algum em manter o antigo nome e passaram a se chamar King Crimson. O nome da banda  foi tirado de uma música anteriormente composta por McDonald e Sinfield chamada "InThe Court Of The Crimso...

Tesouros da Juventude: "Voyage 3" - Voyage (1980)

V oyage é um grupo francês de disco music , formado por André Pezin (guitarra, vocal). Mark Chantereau (teclado, vocal), Pierre-Allain Dahan (bateria, vocal) e Sauveur Mallia (baixo). Após lançar dois discos de sucesso que deram rumos à disco, notando o evidente cansaço do estilo, o Voyage partiu para uma sonoridade mais pop/funk a partir do terceiro lp. Já eram muito bons quando tinham a excelente cantora inglesa Silvia Mason-James na linha de frente e encantaram o mundo com hits como "Souvenirs"  e "From East To West" e se tornaram ainda melhores com o compositor Marc Chantereau assumindo os vocais e impondo algum respeito ao grupo além das fronteiras "disco". N ão que o Voyage precisasse de algum respeito adicional ao que já conquistara fazendo o que sabiam fazer. Seus dois primeiros discos e o single que lançaram ainda como VIP Connection , são absolutamente honestos. Trata-se de uma banda de verdade, com músicos de verdade, fazendo boa músic...

Um disco por ano de vida: “Odessey and Oracle” – The Zombies (1968) - Parte II

“O dessey and Oracle” permaneceu esquecido em uma gaveta qualquer da CBS até o produtor Al Kooper colocar as mãos nas fitas master do álbum. Impressionado com o que ouviu, Kooper convenceu os diretores da gravadora a por o disco no mercado, o que foi aceito,  sem muito entusiasmo, devido ao enorme prestígio do produtor. Lançado quase um ano depois de ser gravado, sem nenhuma divulgação, sem sequer uma banda ainda na ativa para sustentá-lo, com as esperadas vendas sofríveis, o disco naufragou e foi novamente engavetado. I nexplicavelmente, em março de 1969, já contando quase dois anos da gravação de “Odessey and Oracle” e um ano do lançamento fracassado, a canção “Time Of The Season” passou, subitamente, a tocar no rádio. Diz a lenda que um DJ, achando curiosa a semelhança dos arranjos de “She’s Not There”, primeiro sucesso do grupo, e a citada “Time Of The Season” resolveu tocar as duas, uma após a outra. Foi o suficiente para que os ouvintes  inundassem a emissora com...

Um disco por ano de vida: “Odessey and Oracle” – The Zombies (1968) - Parte I

O complexo de estúdios   Abbey Road , em Londres,  entrou para a história por ter sido o local  da gravação de praticamente todos os discos dos Beatles. Também se eternizaria por ter batizado aquele que, de fato,  é o último álbum do conjunto, e pela foto de capa ter sido tirada bem em frente ao lendário estúdio. Ainda foi em Abbey Road, ao mesmo tempo em que os Beatles gravavam Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band , em 1967, no estúdio “A”, que um Pink Floyd,  ainda com Sid Barrett, gravaria o seu igualmente icônico The Piper at The Gates Of Dawn . O disco de estréia do Floyd seria gravado no estúdio “B”, bem ao lado. Fala-se muito na troca de influências entre os dois grupos, Beatles e Pink Floyd, durante a gravação de ambos os discos, mas os estúdios Abbey Road também testemunharam o parto de inúmeros outros álbuns memoráveis, e um deles foi gestado imediatamente após a finalização de Sgt. Peppers , exatamente naquele mesmo estúdio “A”. Abbey Road St...

De cima do baú: Hollywood Vampires - "Hollywood Vampires" (2015)

E m seu livro "An A-Z of hellraisers: A comprehensive compendium of oustrageous insobriety",  o crítico musical Robert Sellers revelou ao mundo a existência, durante os anos 70, de uma confraria de beberrões famosos, fundado pelo músico norte-americano Alice Cooper , chamado de Hollywood Vampires . Do clube fizeram parte, entre outras celebridades,  Bernie taupin, parceiro de Elton John, o próprio Elton John, Ringo Starr, John Lennon, Harry Nilsson, John Belushi e Keith Moon, entre muitos outros. O clã costumava se reunir no Rainbow Bar, na Sunset Boulevard, em Los Angeles, e as "reuniões" viravam a madrugada, contando muitas vezes com  o strip-tease de garotas de programa vestidas de freiras ou de Hitler.   E m uma entrevista ao site The Quietus , em 2009, Alice Cooper confirmou que tudo que Sellers havia contado em seu livro era a mais pura e cristalina verdade, e lamentava que alguns dos membros daquele clube não sobreviveram, como ele mesmo, se tornando...