EDUCAÇÃO ARTÍSTICA é o nome de uma coluna que mantive durante alguns anos em um jornal. Nele eu resenhava discos que não eram obviedades nem lançamentos. A coluna era lida (e elogiada) por alguns nomes do rock nacional.
The Band Of Holy Joy - Manic Magic, Majestic (1989) - Havia um anjo na gravadora Stiletto, famosa na segunda metade dos anos 80 por lançar por estas plagas, discos de grupos que, de outra forma, nunca teriam seus trabalhos lançados por aqui.
E não foram poucos. Nomes como The Fall, Felt, Nick Cave e A Certain Ratio foram apenas alguns com que a gravadora Stilleto nos brindou, com o que estava sendo feito de melhor na música naquele momento. E se como só lançá-los não fosse suficiente, ainda nos presenteava com capas que chegavam a ser mais luxuosas que as originais (caso do disco "Force" do A Certain Ratio), algo nunca visto em um país acostumado a lançamentos mutilados e/ou pouco cuidados.

The Band Of Holy Joy - Manic Magic, Majestic (1989) - Havia um anjo na gravadora Stiletto, famosa na segunda metade dos anos 80 por lançar por estas plagas, discos de grupos que, de outra forma, nunca teriam seus trabalhos lançados por aqui.
E não foram poucos. Nomes como The Fall, Felt, Nick Cave e A Certain Ratio foram apenas alguns com que a gravadora Stilleto nos brindou, com o que estava sendo feito de melhor na música naquele momento. E se como só lançá-los não fosse suficiente, ainda nos presenteava com capas que chegavam a ser mais luxuosas que as originais (caso do disco "Force" do A Certain Ratio), algo nunca visto em um país acostumado a lançamentos mutilados e/ou pouco cuidados.

Como o que é bom sempre dura muito pouco, a Stiletto, que começou lançando seus
discos em parceria com a criteriosíssima gravadora independente Eldorado,
logo, com o evidente sucesso, passou a trabalhar com uma major, a Sony
Music. A profusão de bons lançamentos continuou, é verdade, mas as
edições, antes primorosas, passaram a ficar mais desleixadas.
Foi nesse período que foi lançado o disco Manic, magic, majestic de uma obscura banda inglesa com um nome interessantíssimo: "The Band Of Holy Joy", a banda da sagrada diversão. O grupo, desde que surgiu, foi o xodó da sua gravadora inglesa, a lendária Rough Trade, famosa por dar ao mundo pérolas como os Woodentops e os Smiths. Tudo foi feito para que a banda conseguisse alguma projeção, mas a
música era difícil e o máximo que a Rough Trade conseguiu foi ver a
belíssima What The Moon Saw, que, aliás, dá sub-título ao disco, alcançar alguns degraus nas paradas britânicas.
Inicialmente um projeto despretensioso de músicos que queriam apenas tocar canções dos Dexy's Midnight Runners,
o BHJ, como também era conhecido, recebeu a adição de outros músicos da
cena alternativa inglesa, entre eles, Jah Wobbles, ex-integrante do
PIL, de John Lydon, que saiu um pouco antes da gravação deste disco,
mas deixou uma marca bem visível na sonoridade do álbum. A identidade sonora da banda recebeu,
naturalmente, altas doses do soul celta dos Runners, mas a mistura com
muitos outros sons era a tônica do grupo. Hoje em dia, a banda da
diversão sagrada seria muito mal aceita em um universo de grupos
extremamente certinhos, incapazes de dar um passo além da própria
mediocridade.
Como em um daqueles filmes, onde, antes dos letreiros, se diz o que aconteceu com os personagens, o futuro da Stiletto,
neste filme, não trouxe um final feliz, pelo menos, para nós, audiófilos. Acuada
por metas de vendas típicas de gravadoras majors, o selo desistiu de
lançar petiscos ingleses e passou a investir pesado na dance-music
norte-americana de selos como o Tommy-Boy, dos enjoados Information Society.

Tanta teimosia dificultou, e muito, a vida dos quatro rude boys ingleses. Inúmeras vezes foram relacionados no mesmo rol de bandas como Skrewdriver e Cocksparrer, francamente racistas e anticomunistas. Certo que, nisso, eles não estão absolutamente sós. Apesar das bandas famosas ligadas ao National Front serem uma minoria, são inúmeros os grupos injustiçados. Entre os mais notórios estão o Sham 69 e os Cockney Rejects. Um, francamente socialista; o outro, um bando de garotos beberrões mais interessados em farra e mulheres do que em política.
Mas estamos falando dos 4 Skins e, mais especificamente de seu magnífico álbum , o clássico The Good, The Bad And The 4 Skins, de 1982. Considerados por muitos como uma das bandas mais sexistas e violentas já surgidas, os 4 Skins
eram apenas pessoas que cantavam sobre a própria vida. E esse cantar bem pessoal resultou em alguns clássicos como "Wonderful World", "One Law
For Them" e a exuberante pérola punk-pop "Plastic Gangsters", com seu
final surpreendente. O disco, inclusive em seu relançamento em CD, com
seis músicas a mais, é um dos mais criativos já feitos por um grupo
francamente punk-rocker. Apesar de não fugirem uma linha sequer da cartilha
punk, a banda consegue nos presentear com 20 visões diferentes da
Londres do final da década de 70. Seria como um "London Calling" efetivamente
punk.
Influenciadores de muita gente boa como os punks modernos do Green Day
("She", da banda americana, é muito parecida com "Jack The Lad",
presente neste disco), os "foreskins" precisam ter sua importância
definitivamente reconhecida e, inclusive, serem inocentados da acusação
de racistas e amigos de Hitler.
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