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A Criatividade Sob Suspeita: O Preço Pago pelos Abusos da Inteligência Artificial.

O ser humano tem um talento quase inerente para fazer mau uso dos avanços tecnológicos. No caso da inteligência artificial, esse mau uso é evidente. Seja em trabalhos escolares completamente escritos por IA, em deepfakes de políticos e celebridades, na clonagem de vozes de artistas famosos para músicas geradas artificialmente ou na disseminação de informações falsas. Certamente você já se deparou com algum vídeo “revelando” um suposto segredo escondido na Antártida ou qualquer outra teoria mirabolante criada para atrair cliques. Mais preocupante até do que a capacidade humana de fazer mau uso da tecnologia é a capacidade do ser humano acreditar em qualquer coisa que vê ou ouve. Os avanços da inteligência artificial deram às pessoas uma ferramenta capaz de tornar plausíveis até as narrativas mais absurdas. Lembro quando surgiram IAs que permitiam a uma pessoa se inserir em videos retratando acontecimentos do passado como se fosse um repórter da História de smartphone na mão tirando se...
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(A história da música) Gigante.

Q uando eu me separei da primeira esposa, eu estava exatamente como Zeca B aleiro se descreveu na música Telegrama : " T ristinho", " s ozinho" e "mais solitário que um paulistano".  No primeiro aniversário que passei separado, visivelmente depr imido, uma amiga saiu comigo e me levou a um shopping para comprar o presente que ela queria me dar "para me animar": Um DVD da sua banda preferida, os "Los Hermanos". N ão bastasse eu, simplesmente, detestar a banda de Camelo e Amarante -  à exceção de "Anna Julia", uma baita música , da qual gosto até hoje - , ainda que imbuída das melhores intenções, a minha amiga pretendia me "animar" me dando de presente a trilha perfeita (para mim) para um suicídio. Diga-se o que quiser dos Los Hermanos , mas, não há nada na obra do grupo, nem mesmo "Anna Julia",  que possa ser adjetivado como  "divertido" ou "animado". F uçando os títulos di...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XVIII (FINAL) - HERE TODAY, GONE TOMORROW.

E m 2006 meu casamento havia chegado ao fim, tinha feito um punhado de canções mais maduras e até mesmo mais melancólicas e nada do que eu escrevia parecia muito se encaixar no repertório da LP & Os Compactos. Por outro lado, a banda continuava sem baterista e agora também sem baixista, já que Stephen havia expressado firmemente o desejo de permanecer definitivamente com o seu outro instrumento, a guitarra. N esta época, finalmente cedemos ao pedido daquele a quem chamávamos de "Viúva Porcina" - o músico que desde o início da banda queria ter sido o baterista - e o testamos, mas o resultado não foi bom. Encontramos também um guitarrista de  heavy metal e Stephen retornou brevemente ao baixo, mas também não deu muito certo. Charge por Daniel Figueiredo E u, por outro lado, já estava cansado de tanto esforço em vão, sem ter o reconhecimento devido da mídia local, com pouca compensação financeira e com essa enorme dificuldade de encontrar músicos para tocar na única banda fe...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XVII - O AMOR É SURDO.

  A s gravações do segundo disco da LP & Os Compactos ocorreram em 12 de junho de 2015. Foram marcadas em um grande estúdio da cidade e foram financiadas pelo musico Beto Pitombo, tio do vocalista. Não houve nenhum pré-ensaio pois Douglas Cerqueira, o baterista menor de idade, estava proibido pela mãe de ensaiar ou tocar por ter tirado baixas notas na escola. Não adiantou apelar para o bom senso da sua genitora. Ela não permitiria que o filho tocasse e pronto. N ão me recordo do artifício utilizado para tirar o baterista de casa mas começamos as gravações com ele logo pela manhã. Passamos as 12 músicas para que ele gravasse a bateria e o levamos de volta para casa. Bateria gravada, era hora de gravar os outros instrumentos. Lá pelas uma da manhã do dia seguinte concluímos os trabalhos. O Amor é Surdo foi pensado para sedimentar a nossa evidente posição de melhor banda da cidade mas deu tudo relativamente errado. O problema com o baterista, uma mixagem equivocada, um candidato ...

LEMBRANÇAS DE WILSON EMÍDIO.

E sta é uma história sobre rock e amizade. Não importa muito se você nunca ouviu falar de  Wilson Emídio.  Certamente, se você gosta das duas ou de uma das coisas - rock e fazer amigos - , você vai gostar do que vai ler aqui. E m 1984, eu tinha uma banda de rock chamada Censura Prévia. Ensaiávamos na sala de estar de minha casa, assim como os Talking Heads ensaiavam na sala de estar do David Byrne no início da carreira. Tanto que, ao ver aquelas fotos do disco duplo ao vivo da banda  nova-iorquina,  me remeto imediatamente àqueles tempos. E, por mais incrível que possa parecer, nós tínhamos duas fãs. Eram duas vizinhas que não perdiam um ensaio, sentadas no sofá enquanto se balançavam, fazendo coreografias, rindo muito e tomando refrigerante. Um dia elas resolveram criar  um fã-clube para o nosso conjunto amador. Na verdade, elas mandaram uma carta para a revista Rock Stars,   uma publicação de quinta categoria, mas baratinha e acessível aos quebrados ...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XVI - GAROTO DE PLUTÃO

S e a primeira versão da LP e Os Compactos pendia mais para o rockabilly, a segunda - com o guitarrista Sidarta e o baterista Douglas  - estava muito mais para um combo punk/new wave. E foi com isso em mente que eu comecei a preparar as canções de "O Amor é Surdo", o disco. Ressuscitei uma canção de meu antigo grupo, Traidores do Movimento, chamada "Cinema de Arte" (já havia feito isso no primeiro disco com "Nasci Para Comer"), retirei uma frase que continha um palavrão ("Cinema de arte é coisa de viado" trocada por "Cinema de arte só de arte marcial") e acrescentei mais uns versos. " C inema de Arte" tem uma história curiosa: Foi feita para um amigo que só gostava de filme "cabeça" e criticava duramente o meu gosto cinematográfico. Fiz esta música em 1991, em homenagem a ele - quase como um insulto -  e ele, de fato, por pouco não se tornou meu inimigo por causa dela. Quando saiu o CD da LP , o amigo comprou seu exe...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XV - ROCK DA OVERDOSE.

Z é Mário estava verdadeiramente encantado com o que ele mesmo chamava de "minha melô", o  seu "Rock Da Overdose". Mas não deixou de aprontar. Convidou um amigo para assistir  um  ensaio - uma lendária figura do rock local - e disse para ele que eu tinha feito uma  música em sua homenagem. O artista foi para o ensaio, todo pimpão,  esperando uma letra que o enchesse de elogios e encontrou um texto ácido e irônico. Saiu do ensaio me xingando e querendo brigar comigo e eu, nem ao menos, sabia a razão. Quando a lenda viva do rock feirense se foi, o  nosso vocalista nos  contou, aos risos, que disse ao rocker que eu havia feito "Rock da Overdose" como uma homenagem a ele. M as não há nada ruim que não possa piorar. Pouco depois da visita dele eu resolvi incluir uma intro hard rock no tal rock da overdose. O show em que a música seria tocada pela primeira vez ocorreria na UEFS, a universidade estadual local, em uma apresentação conjunta justamente com a ban...