Q uando eu me separei da primeira esposa, eu estava exatamente como Zeca B aleiro se descreveu na música Telegrama : " T ristinho", " s ozinho" e "mais solitário que um paulistano". No primeiro aniversário que passei separado, visivelmente depr imido, uma amiga saiu comigo e me levou a um shopping para comprar o presente que ela queria me dar "para me animar": Um DVD da sua banda preferida, os "Los Hermanos". N ão bastasse eu, simplesmente, detestar a banda de Camelo e Amarante - à exceção de "Anna Julia", uma baita música , da qual gosto até hoje - , ainda que imbuída das melhores intenções, a minha amiga pretendia me "animar" me dando de presente a trilha perfeita (para mim) para um suicídio. Diga-se o que quiser dos Los Hermanos , mas, não há nada na obra do grupo, nem mesmo "Anna Julia", que possa ser adjetivado como "divertido" ou "animado". F uçando os títulos di...
Volta e meia me deparo com o espanto de gente de esquerda diante da figura do “pobre de direita”. Existe até um livro do respeitadíssimo sociólogo Jessé Souza intitulado justamente O Pobre de Direita , no qual o autor chega a classificar como “bastardos” os pobres que optam por tal posição ideológica. Veja bem: Se um dia eu acreditasse que sou uma pessoa de direita, estaria, mais do que nunca, enganando a mim mesmo. Os valores da direita não são, absolutamente, os meus. Acontece que os da esquerda também não são e eu, como muitos brasileiros, acabo vivendo num limbo em que esquerdistas me chamam de fascista e direitistas me rotulam como esquerdopata. Mas isso é natural. É apenas o preço que se paga por pensar fora de caixinhas ideológicas previamente montadas. Porém, o assunto deste texto não sou eu. É o pobre. E o pobre de direita — esse “bastardo”, como o chama Jessé Souza. Em primeiro lugar, desmontando uma narrativa comum da esquerda: O pobre, em muitos aspectos culturais, é p...