Volta e meia me deparo com o espanto de gente de esquerda diante da figura do “pobre de direita”. Existe até um livro do respeitadíssimo sociólogo Jessé Souza intitulado justamente O Pobre de Direita , no qual o autor chega a classificar como “bastardos” os pobres que optam por tal posição ideológica. Veja bem: se um dia eu acreditasse que sou uma pessoa de direita, estaria, mais do que nunca, enganando a mim mesmo. Os valores da direita não são, absolutamente, os meus. Acontece que os da esquerda também não são e eu, como muitos brasileiros, acabo vivendo num limbo em que esquerdistas me chamam de fascista e direitistas me rotulam de esquerdopata. Mas isso é natural. É apenas o preço que se paga por pensar fora de caixinhas ideológicas previamente montadas. Porém, o assunto deste texto não sou eu. É o pobre. E o pobre de direita — esse “bastardo”, como o chama Jessé Souza. Em primeiro lugar, desmontando uma narrativa comum da esquerda: O pobre, em muitos aspectos culturais, é pro...
Já parou para pensar na futilidade e até mesmo na banalidade das canções pop? No filme "Mais e Melhores Blues" o personagem de Denzel Washington faz uma longa e divertida explanação sobre o uso da palavra tonight (noite) no pop anglofônico enquanto improvisa um jazz. Apesar da noite já ter sido cantada em verso e verso no pop brasileiro, o equivalente tupiniquim ainda é o velho e bom "eu te amo". O compositor brasileiro é um autêntico romântico. Romântico no sentido literário do termo. Em sua imensa maioria, o letrista pop nacional ainda não atingiu o parnasianismo, quiçá o modernismo. E aí não vai nenhuma crítica. Eu mesmo, enquanto letrista, sou também um autêntico romântico, ao menos na maioria das vezes. Está em nossas veias latinas a vontade de amar, sofrer e decantar o amor. E estou falando aqui do acessível, do que toca no rádio - o que não é muito meu caso, bem verdade - ou do que é feito com a má intenção de tocar - o meu caso. É claro que o alegado romanti...