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A Criatividade Sob Suspeita: O Preço Pago pelos Abusos da Inteligência Artificial.

O ser humano tem um talento quase inerente para fazer mau uso dos avanços tecnológicos. No caso da inteligência artificial, esse mau uso é evidente. Seja em trabalhos escolares completamente escritos por IA, em deepfakes de políticos e celebridades, na clonagem de vozes de artistas famosos para músicas geradas artificialmente ou na disseminação de informações falsas. Certamente você já se deparou com algum vídeo “revelando” um suposto segredo escondido na Antártida ou qualquer outra teoria mirabolante criada para atrair cliques. Mais preocupante até do que a capacidade humana de fazer mau uso da tecnologia é a capacidade do ser humano acreditar em qualquer coisa que vê ou ouve. Os avanços da inteligência artificial deram às pessoas uma ferramenta capaz de tornar plausíveis até as narrativas mais absurdas. Lembro quando surgiram IAs que permitiam a uma pessoa se inserir em videos retratando acontecimentos do passado como se fosse um repórter da História de smartphone na mão tirando se...
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(A história da música) Gigante.

Q uando eu me separei da primeira esposa, eu estava exatamente como Zeca B aleiro se descreveu na música Telegrama : " T ristinho", " s ozinho" e "mais solitário que um paulistano".  No primeiro aniversário que passei separado, visivelmente depr imido, uma amiga saiu comigo e me levou a um shopping para comprar o presente que ela queria me dar "para me animar": Um DVD da sua banda preferida, os "Los Hermanos". N ão bastasse eu, simplesmente, detestar a banda de Camelo e Amarante -  à exceção de "Anna Julia", uma baita música , da qual gosto até hoje - , ainda que imbuída das melhores intenções, a minha amiga pretendia me "animar" me dando de presente a trilha perfeita (para mim) para um suicídio. Diga-se o que quiser dos Los Hermanos , mas, não há nada na obra do grupo, nem mesmo "Anna Julia",  que possa ser adjetivado como  "divertido" ou "animado". F uçando os títulos di...

EU TE AMO VOCÊ

Já parou para pensar na futilidade e até mesmo na banalidade das canções pop? No filme "Mais e Melhores Blues" o personagem de Denzel Washington faz uma longa e divertida explanação sobre o uso da palavra tonight (noite) no pop anglofônico enquanto improvisa um jazz. Apesar da noite já ter sido cantada em verso e verso no pop brasileiro, o equivalente tupiniquim ainda é o velho e bom "eu te amo". O compositor brasileiro é um autêntico romântico. Romântico no sentido literário do termo. Em sua imensa maioria, o letrista pop nacional ainda não atingiu o parnasianismo, quiçá o modernismo. E aí não vai nenhuma crítica. Eu mesmo, enquanto letrista, sou também um autêntico romântico, ao menos na maioria das vezes. Está em nossas veias latinas a vontade de amar, sofrer e decantar o amor. E estou falando aqui do acessível, do que toca no rádio - o que não é muito meu caso, bem verdade - ou do que é feito com a má intenção de tocar - o meu caso. É claro que o alegado romanti...

O SONHO

  Oi. Hoje eu sonhei contigo. Aliás, contigo não. Eu sonhei mesmo foi comigo. Comigo sim, porque o sonho era meu, mas também com você, porque você não era uma mera coadjuvante. Você era a outra metade dos meus anseios juvenis que, quase sexagenário que sou, jamais se concretizaram. Não que a falta de tais anseios me faça infeliz. Não faz. Apenas os troquei por outros, talvez mais relevantes, talvez não. Hoje de madrugada, durante o sonho, eu voltava a ter 20 anos e você devia ter uns 17 ou 18. Eu estava de volta à tua casa, recebido por você em uma antessala completamente vazia e toda branca. Branca era a parede, branco era o teto, branco era o chão. Eu chegava de surpresa, vindo de muito longe. Me arrependia e queria ir embora. Você  queria que eu ficasse, queria tirar minha roupa ali mesmo, queria que eu estivesse à vontade ou talvez quisesse algo mais. Talvez? Eu era um boboca mesmo. Você era uma menina bem assanhadinha, tinha os hormônios à flor da pele e eu era a sortuda ...

A CARTA ANÔNIMA

 Quando eu era menino, ainda ginasiano, lá pela sexta série, a professora resolveu fazer uma dinâmica bastante estranha. Naquele tempo ainda não tinha esse nome mas acho que ela quis mesmo fazer uma dinâmica, visto pelas lentes dos dias atuais. Ela pediu que cada aluno escrevesse uma carta anônima, romântica, se declarando para uma outra pessoa.  Eu confesso que não tive a brilhante ideia de escrever uma carta anônima para mim mesmo e assim acabei sem receber nenhuma carta falando sobre os meus maravilhosos dotes físicos e intelectuais. Já um outro garoto, bonitão, recebeu quase todas as cartas das meninas da sala. E sabe-se lá se não recebeu nenhuma carta vinda de algum colega do sexo masculino, escrita dentro de algum armário virtual. Eu, é claro, escrevi a minha carta para uma menina branca que nem papel, de óculos de graus enormes e um aparelho dentário que mais parecia um bridão de cavalos. Ela era muito tímida e recatada, havia nascido no norte europeu mas já morava...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XVIII (FINAL) - HERE TODAY, GONE TOMORROW.

E m 2006 meu casamento havia chegado ao fim, tinha feito um punhado de canções mais maduras e até mesmo mais melancólicas e nada do que eu escrevia parecia muito se encaixar no repertório da LP & Os Compactos. Por outro lado, a banda continuava sem baterista e agora também sem baixista, já que Stephen havia expressado firmemente o desejo de permanecer definitivamente com o seu outro instrumento, a guitarra. N esta época, finalmente cedemos ao pedido daquele a quem chamávamos de "Viúva Porcina" - o músico que desde o início da banda queria ter sido o baterista - e o testamos, mas o resultado não foi bom. Encontramos também um guitarrista de  heavy metal e Stephen retornou brevemente ao baixo, mas também não deu muito certo. Charge por Daniel Figueiredo E u, por outro lado, já estava cansado de tanto esforço em vão, sem ter o reconhecimento devido da mídia local, com pouca compensação financeira e com essa enorme dificuldade de encontrar músicos para tocar na única banda fe...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XVII - O AMOR É SURDO.

  A s gravações do segundo disco da LP & Os Compactos ocorreram em 12 de junho de 2015. Foram marcadas em um grande estúdio da cidade e foram financiadas pelo musico Beto Pitombo, tio do vocalista. Não houve nenhum pré-ensaio pois Douglas Cerqueira, o baterista menor de idade, estava proibido pela mãe de ensaiar ou tocar por ter tirado baixas notas na escola. Não adiantou apelar para o bom senso da sua genitora. Ela não permitiria que o filho tocasse e pronto. N ão me recordo do artifício utilizado para tirar o baterista de casa mas começamos as gravações com ele logo pela manhã. Passamos as 12 músicas para que ele gravasse a bateria e o levamos de volta para casa. Bateria gravada, era hora de gravar os outros instrumentos. Lá pelas uma da manhã do dia seguinte concluímos os trabalhos. O Amor é Surdo foi pensado para sedimentar a nossa evidente posição de melhor banda da cidade mas deu tudo relativamente errado. O problema com o baterista, uma mixagem equivocada, um candidato ...