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Mostrando postagens de março, 2016

O culto à bolacha preta.

E u não sou saudosista. Sinto muito. Não troco minha câmera fotográfica de 13 mega-pixels, embutida no meu smartphone , por uma câmera digital comum com a mesma configuração, quanto mais por uma daquelas tranqueiras analógicas nas quais se colocavam rolos de filmes e as fotos só eram visualizadas quando eram reveladas.  Da mesma forma, não trocarei jamais meus arquivos flac e ogg dos meus discos preferidos,  - todos catalogados e salvos em meus dois PCs, o de casa e o do trabalho, em dois HDs externos, e muito bem guardados em nuvem, para a eventualidade de serem perdidos - por um arquivo jurássico de mp3  em 128kps , quanto mais por CDs e LPs. R espeito imensamente quem pensa diferente de mim e prefere acumular pedaços de acrílico e vinil em casa a ter seus arquivos de música à mão, seja no carro, casa ou trabalho. Aliás, de fato, uma escolha não inviabiliza a outra. É perfeitamente possível conjugar as duas possibilidades. O audiófilo Ed Motta...

Morena Penha.

E u era realmente fissurado naquela japonesa.  Japonesa brasileira, na verdade. Uma linda nissei, filha mais velha de imigrantes que vieram para o Brasil após o fim da segunda guerra mundial. Magrinha, pinta no canto da boca, cabelo espetado e pose de roqueira. Era metida a radialista e apresentava um programa meio mambembe em uma rádio local.  U sava óculos de grau moderado que a deixava ainda mais charmosa e, enfim, aquela "japa", definitivamente, era quem eu gostaria que fosse a minha Yoko Ono, ainda que ela estivesse mais para May Pang, a belíssima amante nipônica que Lennon arranjou no seu famoso "lost weekend", um breve período de férias conjugais pelo qual o músico passou nos anos 70.   E la era irmã de um dos meus colegas da escola e, pelo menos, uns cinco anos mais velha que eu. Eu ainda brigava com os meus quatorze anos e ela já exalava a jovialidade adulta de quem aguardava ansiosamente adentrar os vinte. A voz...A voz era um quesito à parte. Afi...

KEITH EMERSON: UM HERÓI IMPROVÁVEL.

O ntem,  voltei do trabalho ouvindo Emerson, Lake & Palmer no som do carro e me senti, repentinamente, triste. Na verdade, nem foi tão repentinamente assim. Passei o dia meio angustiado, reflexivo sobre as cinco décadas quase completas de idade que já se avistavam ao longe no horizonte. Mas foi quando tocaram os primeiros acordes de Take a Peeble , segunda faixa do maravilhoso primeiro disco do trio, ainda de 1970, que eu senti, de fato, a tristeza tomar conta de mim. Ainda não sabia que o líder da banda havia acabado de falecer. A lguns de meus maiores heróis - heróis de um homem sem heróis - se foram do planeta Terra em torno dos 50 anos de idade. Robert Palmer, Dee Dee, Joey e Johnny Ramone, além de Joe Strummer . E a chegada das tais cinco décadas de vida começa a me meter algum medo. Medo, nem tanto de morrer, mas de ir embora sem poder dizer que tenha sido plenamente feliz e realizado. Felicidade é uma experiência um tanto recente em minha vida e eu gostaria de...