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Sobre "Yesterday" e "Bohemian Rapshody".

Ontem assisti dois filmes que estava querendo ver faz muito tempo, "Yesterday", de Danny Boyle, e a cinebiografia do Queen, "Bohemian Rapshody" e me decepcionei com ambos.
Já haviam me dito que "Yesterday" não era nenhuma coisa do outro mundo, apesar do mote interessantíssimo, mas mesmo para um filme de Boyle, é fraco. Está abaixo de "Quem Quer Ser Um Milionário" e nem se compara a "Transpotting".
Pode ter sido até proposital, mas precisava que o protagonista, o ator Himesh Patel, fosse assim tão absolutamente sem graça? E Ed Sheeran é um zero absoluto à esquerda como músico, como ator nem se fala. Quem salva o filme é Kate McKinnon, no papel da empresária malvadona, ainda que pareça um pouco forçada demais.

Sem dúvida, a cena com John Lennon é de chorar, mas foi pouco aproveitada. Algumas questões como o que aconteceu com os outros três beatles ficaram no ar.
Já a cinebiografia do Queen eu esperava um pouco mais. O Freddie Mercury de Rami Malek é uma florzinha frágil que parece que vai se quebrar a qualquer momento, inclusive nas entrevistas. Como eu não conheci Mercury pessoalmente, pode até ser que, na intimidade, ele fosse assim. Mas nas entrevistas que eu vi dele, a postura do artista era bem diferente. A minha opinião é que, se Freddie Mercury estivesse vivo, ou ele seria retratado de outra forma ou este filme jamais teria visto a luz do dia.
A história da banda parece não caber nas duas horas da película e o enredo parece o de uma série que foi reduzida e transformada em longa-metragem.
Isto sem contar que, nem mesmo com a consultoria dos ex-integrantes, a cronologia dos acontecimentos é fiel à realidade.

Um porém é a sequencia da apresentação no Live Aid. Ali parece que, finalmente, o ator que interpreta Freddie Mercury compreendeu a grandeza do personagem. Mas já era tarde demais.

Musicalmente, adoro o Queen e detesto o Motley Crue, mas a cinebiografia da turma de Vince Neil dá um banho na de May e Taylor. O Queen não merecia isto.

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