Pular para o conteúdo principal

"Como a música ficou grátis" - Stephen Witt (Resenha)

"Como a música ficou grátis", de Stephen Witt, apesar do tema interessante para quem lida com música pop, tinha tudo para ser um livro chato e maçante de ler. A princípio - e apenas a princípio -  a história do processo que levou à  gratuidade da música através dos downloads ilegais não seria exatamente o assunto mais profundo e complexo da face da Terra, capaz de fazer o leitor se debruçar sobre 271 páginas de um livro.

Ainda mais que Witt conta esta história narrando as aventuras e desventuras de apenas três personagens:  Um funcionário de uma fábrica de cds nos Estados Unidos, chamado  Dell Glover - que teria sido o primeiro "pirateiro" da história, ou o "paciente zero" da pirataria, como Witt o chama -, um magnata da indústria fonográfica, o lendário executivo Doug Morris e os engenheiros alemães inventores da mp3.

O livro toma a forma de um romance, intercalando as três histórias em capítulos, deixando "ganchos" irresistíveis, como se fosse uma série de tv, fazendo com que o leitor espere ávido pelo desenrolar da história. E que história!

Para quem, como eu, acreditava até então, que não havia muito a ser contado sobre o tema, por exemplo, eis uma surpresa entre várias: Quem coleciona mp3. notadamente as conseguidas em sites de torrent e programas p2p internacionais, com certeza tem de 30 a 70% de material ripado originalmente por um único grupo (cuja história é contada paralelamente a de Glover, que fazia parte dele). Só isto, para mim, que comprovei o fato, já é uma descoberta que, rigorosamente, pagaria o livro.

Só que "Como a música ficou grátis" é muito mais que isto: Leitura leve, grudenta, nada maçante e, ao mesmo tempo, minunciosamente explicativa. Quem se interessa por música pop não pode deixar de lê-lo. Um dos poucos livros rigorosamente fundamentais que li nos últimos tempos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

EU TE AMO VOCÊ

Já parou para pensar na futilidade e até mesmo na banalidade das canções pop? No filme "Mais e Melhores Blues" o personagem de Denzel Washington faz uma longa e divertida explanação sobre o uso da palavra tonight (noite) no pop anglofônico enquanto improvisa um jazz. Apesar da noite já ter sido cantada em verso e verso no pop brasileiro, o equivalente tupiniquim ainda é o velho e bom "eu te amo". O compositor brasileiro é um autêntico romântico. Romântico no sentido literário do termo. Em sua imensa maioria, o letrista pop nacional ainda não atingiu o parnasianismo, quiçá o modernismo. E aí não vai nenhuma crítica. Eu mesmo, enquanto letrista, sou também um autêntico romântico, ao menos na maioria das vezes. Está em nossas veias latinas a vontade de amar, sofrer e decantar o amor. E estou falando aqui do acessível, do que toca no rádio - o que não é muito meu caso, bem verdade - ou do que é feito com a má intenção de tocar - o meu caso. É claro que o alegado romanti...

O SONHO

  Oi. Hoje eu sonhei contigo. Aliás, contigo não. Eu sonhei mesmo foi comigo. Comigo sim, porque o sonho era meu, mas também com você, porque você não era uma mera coadjuvante. Você era a outra metade dos meus anseios juvenis que, quase sexagenário que sou, jamais se concretizaram. Não que a falta de tais anseios me faça infeliz. Não faz. Apenas os troquei por outros, talvez mais relevantes, talvez não. Hoje de madrugada, durante o sonho, eu voltava a ter 20 anos e você devia ter uns 17 ou 18. Eu estava de volta à tua casa, recebido por você em uma antessala completamente vazia e toda branca. Branca era a parede, branco era o teto, branco era o chão. Eu chegava de surpresa, vindo de muito longe. Me arrependia e queria ir embora. Você  queria que eu ficasse, queria tirar minha roupa ali mesmo, queria que eu estivesse à vontade ou talvez quisesse algo mais. Talvez? Eu era um boboca mesmo. Você era uma menina bem assanhadinha, tinha os hormônios à flor da pele e eu era a sortuda ...

METEORO NOS DINOSSAUROS

Um dia Deus ganhou consciência. Não se autodenominava Deus, é bem verdade,  este é um nome que os homens lhe dariam bem mais tarde. Mas foi então que Ele percebeu onde estava. Era tudo um imenso vazio. Não sabia se fora criado, nem porque estava ali. Percebia suas formas, seus braços, suas pernas, seu corpo e percebeu também que podia imaginar. Sim, imaginar. E logo se deu conta que tudo o que Ele imaginava tomava forma. Foi então que fez um ser à sua semelhança e quando o criou tudo se iluminou à sua volta. Chamou-o de Lúcifer pois entendeu que deveria chamar aquele ser por um nome. Ainda que criasse outros seres idênticos a Ele, Lúcifer permaneceu sendo o anjo preferido de Deus. Deus também percebeu que poderia criar pontos no vazio e os chamou de estrelas. À sua volta Deus criou planetas e não se cansava de imaginar outros tipos de astros siderais. Ele havia descoberto um sentido para a sua existência. Ao todo chamou de universo. Criou o sol, em sua volta alguns planetas e a um,...