
Donovan - Beat Café (2005) - Donovan Litch sempre foi, de forma muito injusta, considerado uma espécie de subproduto do folk-rock, um reles imitador de Bob Dylan. Enquanto Dylan caminhava seguro pela estrada de tijolos amarelos do folk, mesmo quando resolveu eletrificar sua música, Donovan sempre foi ousado em suas experimentações psicodélicas, tintinando com cores fortes e estouradas a música pop de seu tempo e abrindo espaço para o bubblegum dos anos 70, com suas melodias grudentas e se firmando como grande influenciador de grupos ingleses dos anos 80, como The Cure.
Durante 1975 e 2005, Donovan permaneceu recluso mas de forma nenhuma parado. Seu disco "Beat Cafe" , lançado em 2005, é a prova maior disso. Donovan é mestre na arte de fazer sempre o mesmo disco e, ao mesmo tempo, recheá-lo de pequenos detalhes interessantes que o tornam inovador e diferente.
O que vemos nas 12 faixas de Beat Cafe é um disco rigorosamente preso ao formato "Donovan", pois está tudo lá: As divagações da jazzistica "Love Floats", a riff bluesy de "Poorman´s Sunshine", o clima jazzy tão caro à Robert Smith da faixa título "Beat Cafe", a excelência pop de "Yin My Yang" - a melhor faixa do disco - , o folk tântrico de "Whirlwind" até desaguar na belíssima "Shambala", que finaliza o álbum.
Donovan ainda musica o poema "Do not Go Gentle" de outro Dylan, o Dylan Thomas e flerta sutilmente com o rap em "The Question". Um disco que vale a pena ser ouvido, não só pelo fato de ser o primeiro disco de Donovan em dez anos, como também por ser um dos melhores discos da carreira do artista. E isto após mais de quarenta anos de carreira. Para comemorar, já está na hora de mais um.
(Publicado originalmente em 2005)
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