E naquele carnaval de Salvador, em 2015, não houve um Chiclete Com Banana na avenida. Poderia ser a notícia que eu estaria esperando por toda uma vida, pois, simplesmente, não gosto da banda. Entenda-se por não gostar, não gostar mesmo. É não se salvar – para o meu gosto, claro - nenhuma música do grupo de Bell Marques. Neste ponto, gosto até mais de Pablo do Arrocha, de quem seleciono um par de canções engraçadinhas que podem ser ouvidas por mim sem grandes sinais de enjoo. Mas tolo fui eu que imaginei que a saída de Bell implicaria no fim da banda. Eis que ela ressurge agora em dobro: Cabeça e corpo, doravante, de hoje em diante, agem em separado.

Respeito o Chiclete Com Banana como respeito qualquer músico, de qualquer estilo, que tenha um trabalho e uma história. Não irei aqui dizer que o Chiclete é isso, ou que é aquilo, até porque gosto musical é uma coisa tremendamente subjetiva. Mas explico porque não gosto: Não os acho músicos competentes o suficiente, os arranjos sempre me soaram muito frouxos e a voz de Bell Marques...Ah, a voz de Bell...Que coisa insuportável de se ouvir! Mas há quem goste, há até mesmo quem ame a voz dele e, acreditem, eu respeito isto. Mas passo.
Acompanhei o Chiclete em momentos decisivos de sua trajetória: Fiquei noites de sábado sem dormir enquanto eles – que, à época, se chamavam Scorpius - tocavam os hits do momento no clube a poucos metros de minha casa. Não sei se é coincidência, mas o fato é que diversas músicas que compunham o repertório deles – sucessos “do momento” de 1977 - entraram para a minha seleta lista de músicas profundamente detestáveis.
Também presenciei , claro que do chão, a briga que resultou na saída do cantor e compositor Missinho, em cima do trio. O fato ocorreu quando o caminhão passava bem em frente ao finado Hotel Caroá, no centro de Feira de Santana, lá pelos idos dos anos 80. Missinho, que era a estrela do Chiclete naquela época, disse em alto e bom som: “- Estou saindo do grupo. Quero ver vocês conseguirem continuar sem mim”. Maldita hora em que ele proferiu tais palavras. A banda não só continuou, com Bell Marques assumindo os vocais, como passou a fazer ainda mais sucesso. O monstro perdera uma das cabeças, mas ressurgiu ainda mais forte e poderoso.
É bom dizer que o Chiclete com Banana também é um monstro replicante. Se multiplicou em diversas outras bandas, de nome incrivelmente parecidos como Chicana, Chicabana, Patchanka e vai por aí. A quantidade de gente com óculos ray-ban, bandanas e camisas floridas liderando uma banda de axé hoje na Bahia é impressionante. Seria até uma solução fácil os músicos remanescentes do Chiclete apenas contratarem um destes clones para substituir Bell Marques.
Imaginei que o escolhido para substituir Bell seria o cantor Alexandre Peixe. Compositor gravado por diversas estrelas da axé-music, é autor de inúmeras canções do repertório “chicleteano” e substituiria o ícone careca bandaneiro à altura. Pensei até em uma volta gloriosa de Missinho, que, dizem, hoje é motorista de táxi em Salvador. Mas o escolhido foi mesmo Rafa Chaves. E quem é Rafa Chaves? Sei lá. Vai googlear que tu descobre. Eu, decisivamente, não preciso desta informação para nada
Eis que muita gente comemorou a saída do vocalista como o fim de uma era de música chata e repetitiva. Eu não. Eu sabia muito bem que o monstro agora ressurgiria com força duplicada. E, de fato, este ano, teremos Bell Marques na avenida, se achando a última bola da goma de mascar, e também o Chiclete Com Banana, em outra avenida, macaqueando a era Bell. Resta saber se esse tal de Rafa Chaves dará conta do recado e o Chiclete continuará sendo uma força do carnaval da Bahia. Sinceramente, espero que sim. Implicações à parte, este texto é um texto de humor e longe de mim querer impedir o sucesso alheio ou desejar o fracasso de alguém ou algum projeto. Se você não gosta do Chiclete Com Banana, faça como eu: não ouça. Se você gosta, se divirta em dobro. Por mim e por você. E bom carnaval.
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