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A BANDA DE ROCK QUE OUSOU PEITAR FIDEL.

T alvez você nunca tenha ouvido falar na banda de rock cubana Porno Para Ricardo . E se não ouviu falar, é sinal de que o regime castrista, mais uma vez, conseguiu limpar a sujeira para baixo do tapete. Não exatamente para baixo do tapete, é verdade, e sim, para dentro do presídio conhecido como “5 quilos e meio”, uma das prisões onde “El comandante” trancafia quem ousa se opor a ele e a sua “revolución”. A lias, “El comandante” é o título de uma das canções mais conhecidas da Porno Para Ricardo, onde seu vocalista Gorki Áquila vomita impropérios contra aquele barbudo com um charuto na boca. No clip, disponível no You Tube, feito de forma precária, não é bem um charuto que Fidel leva à boca. Em uma outra canção, eles ensinam “como foder a um comunista”. Não deu outra e Áquila, o cantor e autor de tamanho insulto, já passou duas temporadas na cadeia por representar “perigo social” para o governo cubano. É bom saber que, pelo menos em Cuba, o rock ainda não está dom...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - AC-DC, BANANARAMA E ELTON JOHN.

'74 JAILBREAK - AC/DC (1980) -  As confusões e diferenças na discografia australiana do AC/DC e a dos discos lançados nos Estados Unidos e, consequentemente, no resto do mundo, só se comparam à dos Beatles no início da carreira. A lambança fez com que os três primeiros discos originais da banda virassem dois na terra de Tio Sam. O gênio que compilou os discos deixou cinco dos melhores rocks do grupo de fora dos álbuns e um pirateiro, sempre eles, não perdeu tempo e lançou nos EUA o primeiro (e único, acredito eu) EP pirata da história, o disco '74  Jailbreak . N a real, as músicas foram excluídas por, segundo Ted Jensen, que remasterizou os discos australianos do AC/DC, "não apresentarem condições técnicas suficientes". Pode até ser que Jensen tenha razão. Mas, como deixar Jailbreak, a música, de fora? E a alucinante cover de " Baby, Please Don't Go" , do Them? '74 Jailbreak vai para a galeria de discos que os piratas descobriram p...

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - ADAM & THE ANTS / THE ADVERTS

PRINCE CHARMING - Adam & The Ants (1983) -  Desde que contratou o Adam & The Ants, ainda em 1976, a gravadora Epic vinha estudando uma maneira adequada de vender o que ela julgava ser um excelente produto: a imagem pública do vocalista Adam Ant . Talvez o fracasso no mercado norte-americano se deva justamente ao fato da Epic ter se esquecido que o principal ingrediente era o que estava gravado na bolacha preta, não importa quão exótico os integrantes do grupo se vestissem ou parecessem. C omo diz na própria capa do disco, Prince Charming ("príncipe encantado" e não "charme de príncipe", como traduziu, à época, uma certa revista de circulação nacional) é o terceiro (e último, pelo menos com o nome de Adam & The Ants) disco da banda. Após um hermético álbum de estreia e um barulhento segundo trabalho, foi pedido (leia-se imposto) ao grupo que "amaciasse" o som, deixando-o mais radiofônico e palatável para as massas. M as ...

DISCOS DE VINIL E ESCOVAS DE DENTES USADAS.

U ma escova de dentes é um objeto verdadeiramente pessoal e intransferível. Certos itens de uma coleção de discos também. Da mesma forma que não há ninguém maluco o suficiente para compartilhar uma escova (ou há?), quem coleciona discos sempre terá algumas ‘escovas usadas” entre seus títulos. O colecionador passa anos garimpando item a item, comemorando cada título raro adquirido, sonhando que seus filhos herdarão e cuidarão da sua pequena ou grande coletânea, mas, no fim, sua coleção não passa de um amontoado de escovas de dentes usadas. C laro que não estou falando das coleções de discos que ultrapassam o senso estético e descambam para a comercialidade pura e simples. Há coleções e coleções. Não falo aqui dos ajuntamentos em que os colecionadores adquirem itens raros, discos fora-de-catalogo ou edições limitadas. Me refiro aos colecionadores verdadeiramente apaixonados, que amontoam nas prateleiras apenas o que gostam. Estes sim, colecionam algumas escovas de de...

MUZAK - UMA LOJA DE DISCOS EM ALTA INFIDELIDADE - PARTE II DE II.

A lgumas pessoas que eu conheço hoje se lembram muito bem de mim os atendendo na Muzak mas eu, sinceramente, não me lembro delas indo lá. Afinal, eram muitos clientes e alguns entravam mudos e saiam calados, o que dificultava a memorização. Os atendentes da loja conheciam um pouco do que estavam vendendo e tinham aquela arrogância típica dos vendedores especializados, então, não era raro que, volta e meia, algum cliente fosse vítima da mais dissimulada trollagem ou zoação , como se diz hoje. N as horas vagas, éramos especialista em colocar apelidos em alguns clientes. Alguns exemplos: Um deles, costumava ir à loja maquiado como aqueles músicos de death metal. Não deu outra, passou a ser conhecido como “King Diamond”. Havia uma dupla de clientes que só iam à loja juntos. Um era todo entusiasmado, falador, sorridente, enquanto  o outro, mais calado, parecia estar sempre meio triste e emburrado. Ganharam o apelido de “Lippy & Hardy”, em referência à hiena e o leão dos ...

MUZAK - UMA LOJA DE DISCOS EM ALTA INFIDELIDADE - PARTE I DE II.

A minha vocação para o comércio veio dos tempos da pré-puberdade. Um certo dia encontrei pela rua uma caixa de madeira que embalaria uma peça muito grande, provavelmente um motor de caminhão. Levei para casa, fiz algumas adaptações e transformei em uma banca de doces. Montei o meu pequeno negócio na garagem de casa e, para desespero de minha mãe, a coisa só fazia progredir. C hegava da escola, tomava um banho, almoçava, assistia o Agente 86 na TV e, em seguida, abria a minha banca, indo até 8 da noite. Vendia doces, revistas usadas, jornais do dia e muitos etcéteras. Levava também um pequeno estoque, na pasta, para a escola, vendendo doces para os colegas por preços mais baratos que os da cantina. Um belo dia, minha mãe, vendo que meu ímpeto comercial não iria arrefecer, me fez uma proposta literalmente irrecusável: Compraria o meu estoque pelo dobro do preço, mas eu teria que abdicar do meu pequeno comércio. E deixou bem claro: Era isto ou isto mesmo. Se eu não desistisse po...

NA BARBEARIA MUSICAL.

PELICAN WEST - Haircut 100 (1982) -  M inha história com este disco é bem curiosa. Quando eu tinha quinze anos (e todo mundo já teve quinze anos e, se não teve, ainda terá) posava perante um amigo o qual havia "catequizado" para o rock, de profundo conhecedor do assunto. Assim sendo, e como se isto fosse verdadeiramente possível, mesmo naquela época, eu me passava, como belo falsário, de "expert" em rock and roll. Era só dizer a banda. Claro que eu já conhecia. Foi assim que eu me dei mal, e justo com o grupo inglês Haircut 100. U m belo dia, visitando como de costume as "igrejas" da cidade (leia-se lojas de discos), eis que me deparo com este disco de bela capa, apesar de povoado por marmanjos. Dei uma boa olhada na arte e, vivendo em 1982, você não apostaria que esta banda faria um som bem "new wave"? Atentem para o look "niueive" do (depois eu saberia) lendário baixista Les Nemes, com direito a gravatinha amarela e ...