O ano era 1984 e todos respirávamos aliviados porque o tal estado fascista, profetizado por George Orwell para este ano, não havia se concretizado. Eu cursava o terceiro ano do ensino básico em um colégio com nome de filme de rock e, lá, os professores fingiam que ensinavam, os alunos fingiam que aprendiam e o dono da escola passava longe de fingir cobrar a mensalidade dos que atrasavam. O desastre era iminente. Tudo indicava que todo mundo, ou quase todo mundo, iria levar bomba no vestibular e o colégio seria campeão de reprovação naquele ano. Eis que o diretor, um clone ruivo de Freddie Mercury, resolve vazar as provas de recuperação para evitar o mal maior. Ainda assim, de toda a turma, apenas três passaram no vestibular, e um deles fui eu. Eu pretendia cursar Publicidade e Propaganda e acreditava que aquela era mesmo a minha vocação. Acontece que eram os anos 80, não havia ainda as uniesquinas da vida e a Bahia ainda não tinha este curso. Fiquei indeciso entre Psicologia e Jornalis...
Renato Jorge Araujo