O rock'n'roll é cheio de "causos" e um dos mais folclóricos envolvem as bandas New York Dolls e Aerosmith. No início de 72, os dois grupos eram ilustres desconhecidos tentando um lugar ao sol em Nova Iorque. As duas bandas, apesar de já terem, naquele momento, cada uma, uma forte personalidade própria, eram muito parecidas entre si, ao menos em um curioso ponto: Ambas eram lideradas por clones de Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, a saber, David Johansen pelos New York Dolls e Steven Talaricco - ainda não havia adotado o nome artístico de "Tyler" - pelo Aerosmith.
Um belo dia, os New York Dolls, que, diga-se de passagem, tinham muito mais "credibilidade de rua" do que sua irmã bi vitelina, conseguiram uma audição com um "olheiro" da gravadora Columbia. Tal audição se daria em um show da banda no clube Max Kansas City e estava tudo certo para as bonecas de Nova Iorque, finalmente, conseguirem seu contrato.
Eis que aparece Steve Tyler, quase que implorando para abrir aquele show. Aparentemente, ninguém do Aerosmith sabia que, aquela apresentação, na verdade, era uma audição, e, seguros e confiantes, os Dolls permitiram que a banda de Tyler e Joe Perry abrisse a sua gig. Mas, Tyler, aparentemente, sabia sim, da possibilidade dos Dolls serem contratados e estava determinado a passá-los para trás. Cantou com nunca naquela noite e, ainda naquela madrugada, os Aerosmith eram os novos contratados da Columbia Records.
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Aerosmith |
Os New York Dolls só conseguiriam um contrato com a Mercury Records por força do prestígio do músico Todd Rundgren, um caretaço que adorava a companhia dos doidões da grande maçã, como Nova Iorque é conhecida. Há se de fazer justiça a Johansen e ao guitarrista Sylvain Sylvain, que sempre, ou quase sempre, sóbrios, levaram e levam a banda literalmente "nas costas" até os dias de hoje. Rundgren aceitou produzir o primeiro disco dos New York Dolls e, enquanto o Kiss e o Aerosmith se tornavam fenômenos nacionais, absolutamente nada aconteceu às bonecas.
(Continua...)
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