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PLUG LASER: A HISTÓRIA NÃO CONTADA - PARTE II

Os primeiros dias da Plug Laser no novo endereço não foram nada fáceis. Amargamos a falta de movimento natural de quando uma loja muda de lugar, aliado ao fato bastante curioso de que alguns de nossos antigos clientes criticaram o novo local nos acusando de crescer para buscar ter mais lucro. De fato, era exatamente esta a questão e eu tentei não me preocupar muito com isso.

Logo uma nova clientela surgiu e com ela a necessidade de aumentar o quadro de funcionários que, até ali, se resumia a um atendente herdado da Muzak. Um dos clientes da antiga loja que continuara nos prestigiando na Plug era um rapaz negro, que andava com uma jaqueta velha escrito "Vômito Religioso" e roupas rasgadas. Ele dizia que era gaúcho e que havia me conhecido quando passei uma temporada no Rio Grande do Sul. Eu, sinceramente, não lembrava dele por lá mas simpatizava com a sua curiosa figura aqui.

Certo dia este rapaz me pediu um emprego. Eu olhei para ele e com a minha já conhecida sinceridade lhe respondi que, da forma que ele se vestia, era impossível que eu o contratasse. Ele não se deixou perturbar e disse que, no outro dia, voltaria bem vestido para que eu o avaliasse. E veio. Roupas limpas, novas, até perfumado estava. E foi assim que Wilton Vieira, vulgo "Pink Floyd", verdadeiro patrimônio histórico da Plug Laser, foi contratado. Era final de 1991.

No início de 1992 deixamos definitivamente de vender LPs. Era uma aposta arriscada naquela época. Foi naquele momento que a "PLUG" se tornou Plug Laser, nome extraoficial dado pelos clientes e assumido definitivamente por nós algum tempo depois. A resposta do público foi a melhor possível e ao final do ano já éramos a maior loja de CDs da cidade. Até porque éramos a única (ao menos, apenas de CDs).

Em 1993 o compact disc estourou definitivamente no mercado brasileiro e tínhamos a vantagem de estar um ano na frente dos concorrentes, com uma clientela já feita e que se sentia muito satisfeita em comprar conosco. Aumentei o número de funcionários e contratei pessoas por indicação, que não tivessem grande experiência em vendas mas com enorme conhecimento musical. Apesar de alguns percalços e de certo amadorismo, tudo correu bem. A falta do profissionalismo era amplamente compensada pelo atendimento amistoso e especializado.

É desta época o famoso bordão "O seu CD está aqui" que ficou bastante conhecido na cidade. E o CD que o cliente desejava estava ali mesmo. Alguns títulos tínhamos apenas uma unidade em estoque mas a maior parte dos lançamentos e relançamentos eram encontrados na loja. Fizemos publicidade no rádio e eu tive a ideia de que uma determinada música, uma regravação pop de "Stop! In The Name Of Love" das Supremes,  fosse tocada na programação da emissora sem que o título da música e o cantor fossem mencionados. No início, o locutor diria "momento Plug laser" e , ao final, "este disco você encontra na Plug Laser". Além de vendermos o tal disco aos borbotões vendo a cara de tacho dos concorrentes que não faziam a menor ideia de que música era aquela, as outras rádios ainda faziam propaganda de graça anunciando a "música da Plug laser", já que não sabiam o nome e gravavam quando passava na outra emissora.

Aos poucos a loja foi encontrando o seu público, desde roqueiros até fãs de vaquejada e do forró eletrônico que tomou conta dos anos 90 no Nordeste. A gravadora Som Zoom, do Ceará, lançava discos deste estilo um atrás do outro, sempre com grandes vendagens. Um deles era o disco do palhaço Caçarola. A capa era alusiva a um disco infantil mas o conteúdo era terrivelmente pornô. O disco havia acabado de chegar e ainda estava na caixa quando uma incauta mãe perguntou ao vendedor qual era o lançamento infantil mais recente que havia na loja. O vendedor não pensou duas vezes e lhe vendeu, sem má intenção, o disquinho pornô do palhaço Caçarola. Graças a Deus que eu estava chegando na loja bem naquele momento e impedi a tragédia. Como dizia o próprio Caçarola, "Bittencourt tem medo".


Comentários

Unknown disse…
Grandes histórias, avante.