Eu já escrevi neste blog, ainda que de forma bem resumida, sobre as bandas que tive antes da LP & os Compactos, e isto pode ser conferido aqui. Portanto, quem quiser entender o que aconteceu antes, basta clicar no link. O que vai ser contado a partir daqui é a história, de fato e de direito, da banda com a qual realizei o meu sonho de ser reconhecido como um compositor de qualidade. Não usarei de falsa modéstia no que irei relatar, mas também não dourarei nenhuma pílula. Tudo que será contado, será contado de forma crua e desapaixonada, mas sem abdicar de exercer o direito de reconhecer que a LP & Os Compactos foi a banda mais relevante que já surgiu em Feira de Santana, pelo menos, até o escrever destas linhas.

Nos idos de 2002, meu filho Stephen Ulrich vivia entrando e saindo de escolas, como um verdadeiro adolescente desajustado. Não me dava grandes preocupações enquanto pai pois tinha um comportamento absolutamente tranquilo e parecia que eu estava lhe ensinando as coisas certas. Mas o desajuste de Stephen era muito mais em relação ao ambiente escolar do que propriamente à vida. Parecia que a escola, ao final, oferecia muito pouco a ele, que aparentava estar a anos luz daquilo que vivenciava na sala de aula.
Na Inglaterra, eles mantém escolas de arte, as Art Schools, para meninos como Stephen. Lá, ao invés da burocracia dos lápis e dos quadros negros, garotos como ele aprendem a pintar, a tocar um instrumento, a escrever e esculpir. E o sucesso da empreitada inglesa é evidente quando percebemos o celeiro de grandes artistas que é aquele país.
Mas não estávamos na Inglaterra e, em 2002, eu e a mãe dele tentávamos adaptar Stephen a uma nova escola mais uma vez. Ou adaptar a escola a ele, tanto faz. E, naquela escola, a diretora nos relatou que Stephen estava andando muito com um novo colega, com quem havia se identificado bastante. De fato, o próprio Stephen já nos havia falado do amigo e nossa preocupação era de que o tal garoto acabasse sendo uma "má companhia" para nosso filho, que já era, ele mesmo, considerado uma má companhia por muitos pais de alunos. Ouvindo isso, a diretora esboçou um sorriso e disse: - Quando vocês conhecerem o menino, verão que ele não pode ser má companhia para ninguém.
De fato, Josias, o tal garoto, parecia ter muito menos idade do que realmente tinha e uma aparência de bom menino, típico filhinho da mamãe, o que nos deixou bastante aliviados. E Josias, que arranhava o violão, dedilhava o teclado e batucava as panelas, logo fez Stephen se interessar de verdade por música. Assim, meu filho descobriu meus velhos violões deixados em um canto e arriscou os primeiros acordes. Ali seria o "ano um" do que viria a ser a banda LP & Os Compactos.
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