Ter uma banda de rock deveria ser absolutamente proibido para maiores de 18 anos. A não ser, claro, ter uma banda de rock amadora, de garagem, feita exclusivamente para a diversão. Ainda assim, deveria ser proibido às bandas deste estilo, mesmo que as amadoras, mudanças na formação original após a maioridade de seus integrantes.

Já toquei em muitas bandas de rock ao longo de meus quase 49 anos de idade. Aliás, toco desde os 13, quando formei, com amigos do ginásio, a banda Shirts Pants,, ainda em 1979. Eu tocava bateria nesta época. O nome, Shirts Pants, que soava bem para caramba, mas a gente não fazia a mínima ideia do que significava, foi tirado de uma sacola de uma loja de roupa. A loja se chamava "Dr. Jeans" e, soubemos depois, shirts e pants eram nada mais que os produtos que a boutique vendia. O som da Shirts Pants era, por um lado, fortemente influenciado pelo hard-rock do Kiss, Slade e, por outro lado, por grupos de funk - não o carioca, no caso o verdadeiro - como o Con Funk Shun e o Brass Construction. Mas o "hit" era mesmo uma versão muito particular de "Souvenirs" do grupo de disco-music francês Voyage. De fato, adoraria ouvir hoje em dia como soávamos naquele tempo, mas nada ficou gravado.

Dos Parasitas, passei para os Macacos Hurbanos, que depois deixaria de ser punk para abraçar o hard rock e mudar mais uma vez de nome para Vício. O Vício se esfacelou em 1983 e aproveitei para mudar, desta vez também de instrumento e de estilo: Tocando guitarra, formei minha primeira e única banda de heavy-metal, o Guerra Civil. Mas heavy-metal não era a minha praia, de fato, e a banda de metal virou new-wave na primeira oportunidade e se tornou o Censura Prévia, que, com a chegada do pós-punk, virou Uniforme. O fim do segundo grau acabou com nossos sonhos roqueiros. Cada um foi para um lado e continuamos todos amigos e saudosos daqueles tempos. Brigávamos? Claro que brigávamos. Mas nenhuma briga durava até o ensaio seguinte.
Estas são as bandas das quais sinto saudades. O que veio depois não era mais aquela junção natural de amigos, que antes de serem músicos, eram amigos, e sim, uma reunião de músicos que nem sempre eram exatamente amigos.
Estimulado por um cliente da minha loja de discos, lá pela primeira metade dos anos 90, formei com ele um grupo chamado Wallflowers - o nome era inspirado em uma canção do grupo americano Plasticland - que logo passou a cantar em português e se chamar Traidores do Movimento. O grupo ia bem, tinha local de ensaio e equipamento. Até o dia em que, arranjando uma nova canção, pedi para o baixista tocar algo simples. O nosso grande artista não achou a canção digna do seu talento e implodiu a banda.

Com todos os problemas que uma banda pode ter, a LP & Os Compactos, ainda assim, foi a banda mais bem sucedida que eu já participei. Mas, como disse, não me deixou saudades. Mudar de nome para Zelvis e trocar mais uma vez de estilo não melhorou nada de nada. Enfim, continuaram os problemas de sempre. Sem amizade e ainda por cima, sem dinheiro entrando, nada dá mesmo muito certo.
Daí a razão da minha afirmação de que bandas de rock deveriam ser proibidas a maiores de idade. Porque as verdadeiras amizades são feitas, consolidadas até, ainda na adolescência. E as grandes bandas de rock do mundo inteiro foram todas formadas, no máximo, às portas das universidades. Rock é coisa para menino. Adulto brincando de roqueiro só se for a dinheiro, só se for como profissão. porque, senão, é como aquela turma que coleciona bonecos e diz que são action-figures. Gente um tanto deslocada no tempo e no espaço e sem muita noção do ridículo. Não é o meu caso. Para mim, pelo menos, melhor ser Ronnie Von do que Serguei.
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