Ok, façam aquela velha piada com o nome de Serguei. Pronto, fizeram? Agora podem a continuar a ler. Sérgio Augusto Bustamante é um
senhor de mais de 80 anos de idade e uma figura ímpar na história da música brasileira.
Não existiu nem existirá ninguém igual a ele no rock brazuca. Aos
desavisados que ainda não perceberam, estou falando dele, o homem que
copula com árvores, exilado em Saquarema , no litoral norte do estado
do Rio, onde recentemente se candidatou a vereador e teve parcos nove
votos. Ficou muito feliz porque nove "é um número cabalístico". Mas os fãs do artista são muito mais numerosos e poderiam ser
ainda mais, caso a "obra" do ex-ficante de Janis Joplin e Jim Morrison
pudesse ser mais conhecida entre aqueles que são seu público-alvo.

O disco é realmente muito bom e abrange toda a carreira do maldito, inclusive as primeiras gravações , ainda em compacto e na época da Jovem Guarda. Mesmo tentando ser "certinho", como em "Maria Antonieta Sem Bolinhos", onde emula a voz do cantor brega Paulo Sérgio, o que ele gravou soa estranho hoje, quanto mais para a época.
Do material dos anos 80, quando o anjo maldito "voltou", há as gravações "hard-rock" com a banda Cerebelo. E, ainda, Luis Carlos Calanca teve a sensibilidade de deixar de fora a horrenda "Rolava Bethânia", tosquíssima e terrível versão de Roll Over Bethoven, de Chuck Berry, cometida pelo desculpável e genial Arnaldo Brandão. Aliás, Bethoven deve ter feito isso mesmo, "rolar", só que no túmulo, ao ser confundido, mesmo que intencionalmente, com a cantora baiana.
Quem acha que o primeiro louco do rock foi Flávio Basso (Júpiter Maçã), não pode deixar de ouvir Serguei. E, além de tudo, ele canta muito bem. Rock de primeira qualidade. Recomendo.
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