Pular para o conteúdo principal

AUTOMAT - AUTOMAT (1978)

Automat - Automat (1978) - Sabe aquela velha história da música que só fez sucesso no Brasil e é praticamente ignorada no país de origem e no resto do mundo?  Talvez o melhor exemplo seja a canção "Droid" do grupo italiano Automat. Canção é maneira de falar. "Droid" é um tema eletrônico que, por capricho de algum sonoplasta da Globo, conseguiu o feito de ser o tema de abertura de dois jornais da emissora. 

O sucesso foi tanto que foi lançado um compacto com a música, algo que não chegou a acontecer sequer na Itália. O mais curioso é que Automat, o álbum, foi planejado apenas como um disco de teste. Músicos de um grupo pop experimentalista chamado Botegga D'el Arte inventaram um sintetizador e o batizaram de MCS70.  

Para servir como disco de demonstração das possibilidades do equipamento, criaram uma espécie de peça sinfônico-eletrônica em quatro "movimentos". O equipamento não fez o sucesso esperado e o disco muito menos. Até que um dia, "Droid", a primeira faixa do lado B, estourou no Brasil. Aí o estrago foi feito. Fãs da disco adotaram a bolacha, assim como roqueiros mais chegados à música eletrônica. Na boa, é um bom disco, não é chato como muitos trabalhos do tipo e o mundo - e a própria Itália -  perdeu uma excelente chance de transformar Automat em um clássico.   

Comentários

Unknown disse…
A capa me lembrou de uma capa de um dos livros de Isaac Asimov!!

Postagens mais visitadas deste blog

EU TE AMO VOCÊ

Já parou para pensar na futilidade e até mesmo na banalidade das canções pop? No filme "Mais e Melhores Blues" o personagem de Denzel Washington faz uma longa e divertida explanação sobre o uso da palavra tonight (noite) no pop anglofônico enquanto improvisa um jazz. Apesar da noite já ter sido cantada em verso e verso no pop brasileiro, o equivalente tupiniquim ainda é o velho e bom "eu te amo". O compositor brasileiro é um autêntico romântico. Romântico no sentido literário do termo. Em sua imensa maioria, o letrista pop nacional ainda não atingiu o parnasianismo, quiçá o modernismo. E aí não vai nenhuma crítica. Eu mesmo, enquanto letrista, sou também um autêntico romântico, ao menos na maioria das vezes. Está em nossas veias latinas a vontade de amar, sofrer e decantar o amor. E estou falando aqui do acessível, do que toca no rádio - o que não é muito meu caso, bem verdade - ou do que é feito com a má intenção de tocar - o meu caso. É claro que o alegado romanti...

O SONHO

  Oi. Hoje eu sonhei contigo. Aliás, contigo não. Eu sonhei mesmo foi comigo. Comigo sim, porque o sonho era meu, mas também com você, porque você não era uma mera coadjuvante. Você era a outra metade dos meus anseios juvenis que, quase sexagenário que sou, jamais se concretizaram. Não que a falta de tais anseios me faça infeliz. Não faz. Apenas os troquei por outros, talvez mais relevantes, talvez não. Hoje de madrugada, durante o sonho, eu voltava a ter 20 anos e você devia ter uns 17 ou 18. Eu estava de volta à tua casa, recebido por você em uma antessala completamente vazia e toda branca. Branca era a parede, branco era o teto, branco era o chão. Eu chegava de surpresa, vindo de muito longe. Me arrependia e queria ir embora. Você  queria que eu ficasse, queria tirar minha roupa ali mesmo, queria que eu estivesse à vontade ou talvez quisesse algo mais. Talvez? Eu era um boboca mesmo. Você era uma menina bem assanhadinha, tinha os hormônios à flor da pele e eu era a sortuda ...

A CARTA ANÔNIMA

 Quando eu era menino, ainda ginasiano, lá pela sexta série, a professora resolveu fazer uma dinâmica bastante estranha. Naquele tempo ainda não tinha esse nome mas acho que ela quis mesmo fazer uma dinâmica, visto pelas lentes dos dias atuais. Ela pediu que cada aluno escrevesse uma carta anônima, romântica, se declarando para uma outra pessoa.  Eu confesso que não tive a brilhante ideia de escrever uma carta anônima para mim mesmo e assim acabei sem receber nenhuma carta falando sobre os meus maravilhosos dotes físicos e intelectuais. Já um outro garoto, bonitão, recebeu quase todas as cartas das meninas da sala. E sabe-se lá se não recebeu nenhuma carta vinda de algum colega do sexo masculino, escrita dentro de algum armário virtual. Eu, é claro, escrevi a minha carta para uma menina branca que nem papel, de óculos de graus enormes e um aparelho dentário que mais parecia um bridão de cavalos. Ela era muito tímida e recatada, havia nascido no norte europeu mas já morava...