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A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE V - CATALEPSIA.

Mais que de repente,  do mais absolutamente nada, ficamos sem a peça fundamental, a mola mestra de tudo, a mestre dos magos, o nosso vocalista. Aquele que fomentara o nascimento do grupo, agora que as coisas estavam até caminhando, nos abandonava sem maiores explicações e nos deixando profundamente desconsolados. Bem...foda-se! Uma velha tia-avó minha costumava dizer que "soldado morto, farda em outro" se referindo a seus namorados da juventude. Arrumaremos outro.

E encontramos o novo vocalista até com surpreendente rapidez. Descrente que pudesse dar certo, liguei para o meu amigo Paulo Nelli, que havia estado em várias bandas comigo, na maioria das vezes como vocalista, e, para a minha mais absoluta surpresa, ele topou.  Topou na hora. Paulo tinha a minha idade e foi a figura à frente de bandas que tive e que despontaram gloriosamente para o anonimato, como o Censura Prévia e o Uniforme.

De voz aguda, muito semelhante a do seu xará Paul Stanley, do Kiss, Paulo segurou os vocais sem ao menos mudar os tons das canções. Sua enorme extensão vocal permitiu que ele cantasse sem maiores dificuldades as canções que eu havia feito para Mário Billy. Para deixá-lo á vontade, a princípio, ensaiamos com o novo/velho vocalista alguns hits de alcova do Uniforme. Anos mais tarde, gravaríamos "Catalepsia", retirada justamente destes ensaios, com Stephen nos vocais principais e Zé brincando de Marrone psicodélico.

Tudo ia bem com Don Paulette segurando os microfones até que eu recebi uma ligação de um Zé Mário  quase chorando dizendo que ainda nos amava, que queria o nosso perdão e pedindo para voltar. Eu lhe disse que isto agora era impossível, já que tínhamos feito dois ensaios com um novo vocalista. A fissura do agora ex-vocalista era tanta para retornar que ele aceitava até dividir os vocais com Paulo. Bem, na história do rock existiram os Turtles, que tinham dois vocalistas, Flo & Eddie. Porque não? Então, levamos a proposta a Paulo, deixando claro que ele era o vocalista de fato e se assim desejasse, continuaríamos apenas com ele.

Gentleman como sempre foi, Paulo ouviu tudo com atenção e, ao final, disse que foi ótimo ter participado daqueles dois ensaios, lembrar que ainda sabia cantar, mas que deixava o posto livre para quem julgava ser o dono da vaga de direito. Também deixou claro que, se precisassem dele, ele estaria disposto a retornar a qualquer momento. Porém, quando voltamos com o Censura Prévia para a gravação de um single, eu tive que assumir os vocais.

E foi assim que Zé Mário passou duas semanas sem ser vocalista da LP & Os Compactos. LP que ainda não se chamava LP, evidentemente. Encontrar o nome perfeito para aquele conjunto disfuncional não seria uma tarefa nada fácil.

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