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Um disco por ano de vida: "Ramones" - Ramones (1976) - Parte I

A primeira vez em que eu ouvi falar dos Ramones foi em uma resenha da revista Veja para o disco End Of The Century, que havia acabado de ser lançado no Brasil. A revista comemorava o primeiro lançamento nacional da banda e os rotulava como "punks de histórias em quadrinhos", rasgando-se em elogios. Eu fiquei fascinado, do "baixo" dos meus 13 anos, e louco para ouvir aquilo. Não havia You Tube, Soulseek ou facebook e eu tive que esperar mais um pouco.

Foi no Rock Special, o lendário programa de Marcelo Nova na Aratu FM, que eu, finalmente, pude, também, ouvir os Ramones. Nova tocou Chinese Rocks, Let´s Go e Do You Remember Rock And Roll Radio, exatamente nesta ordem. Em uma das minhas viagens a Salvador, passeando pela Barra, me deparei com o disco exposto em uma pequena loja. Voltei em casa, infernizei minha mãe para me dar o dinheiro e, finalmente, eu tinha um disco dos Ramones para chamar de meu.

Na casa de um amigo, ouvi o Pleasant Dreams, o disco do ano seguinte, e pirei, pois a nova bolacha era ainda melhor que a que eu tinha. Ainda hoje, são os meus dois discos preferidos da banda de Joey e Johnny.  Depois de algum tempo, ainda adquiri os relançamentos do Road To Ruin, Leave Home e Rocket To Russia. Mas, o primeiro, de 1976, eu acabei comprando mesmo em uma loja de discos novos e usados de Salvador, a Kaya, em um pacote de discos importados vindos da Argentina que incluíam os primeiríssimos de David Bowie e do The Cure.

Não foi amor à primeira vista. Se o Rocket To Russia e o Road To Ruin já provavam que os Ramones não funcionavam tão bem assim com uma produção mais fraca; com nenhuma produção, como é o caso do disco de estreia, é que a coisa parecia não ter andado mesmo. Também, pudera. Ali, em uma noite qualquer de 1986, eu estava tendo contato com os verdadeiros Ramones, aqueles que inventaram o punk rock, e não com a bandinha "produzidinha" dos meus dois discos preferidos. Eu precisava mesmo de um tempo para digerir tudo aquilo.

Eu não desisto assim tão fácil e ouvi e re-ouvi aquele disco inúmeras vezes, tentando me acostumar com toda aquela paulada sonora. Em uma das primeiras audições, usando fones de ouvido me dei conta de que a mixagem era tão tosca quanto a produção em si: Era guitarra em um canal e baixo no outro, sem nem sinal de um instrumento no lado oposto. Edições recentes em CD  apuraram um pouco mais  a distribuição de ambos os instrumentos e já se ouve um pouco de guitarra e baixo no canal oposto ao predominante, melhorando o que se pode chamar de "experiência acústica" deste primeiro disco dos Ramones.
(Continua)

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