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A loucura será exposta nas redes sociais.

I magine que você está andando por um caminho cheio de facas afiadas, fincadas no chão e apontadas para cima. As facas estão por todo o lado e só existe espaço no chão para um passo de cada vez, cada passo do tamanho exato de seu pé. Você caminha  atentamente entre aquelas facas tentando se equilibrar, mas você não pode cair nem deitar.  Se deitar, morre transpassado pelas facas. Se cair, morre também. Você dá passos cada vez mais lentos, tentando desesperadamente se manter em pé, enquanto seu corpo lhe  pede, também  desesperadamente,  que se deite e acabe logo com aquilo. P oderia ser um ótimo enredo para um filme de terror ou pesadelo, mas também poderia ser uma excelente alegoria para quem está no limite da sanidade. Estar à beira da loucura deve ser mesmo parecido com isto. O mundo atual não nos dá muitas opções de se manter  como o coração tranquilo, a espinha ereta e a mente quieta, como naquela memorável canção de Walter Franco. Com a acelera...

Pronto para novos erros.

T enho absoluta certeza de que tive, nas quase cinco décadas de vida que carrego nas costas, uma  existência recheada de bons momentos.  Mas não reviveria novamente um segundo sequer destes bons momentos.  Para isto tenho a minha música - a que ouço, não a que fiz - para me  lembrar sempre de alguma ou  outra coisa.  Agora mesmo, enquanto burilo o teclado do computador,  estou ouvindo a canção “This Night” do pianista e cantor americano Billy Joel e lembrando da última dança com aquela que, na época, décadas atrás,  era o amor de minha vida,  e que deixei bem longe para voltar para minha cidade e nunca mais vê-la novamente. A lembrança não é, de forma alguma, sofrida.  É apenas aquilo que dever ser:  Uma lembrança. A í você me diz: -“Poxa, e é isto que você chama de bons momentos?”.  Claro que sim.  Os bons momentos de nosso passado não são necessariamente alegres, só precisam ser felizes.  Já dizia o poeta, e...

Meu plano.

H á quem acredite que grandes amores podem nascer de pequenas amizades mas eu prefiro acreditar que grandes amizades podem nascer de pequenos amores. Nosso amor foi tão pequeno, mas não por falta de merecimento, meu ou dela. Foi pequeno porque morávamos em cidades distantes e distintas, em universos paralelos que só se encontrariam no infinito da internet. E u a conheci em um show d e uma banda que ambos gostávamos. Estava passando uma temporada em sua cidade e, naquela noite, por ser amigo do vocalista, tive acesso livre ao camarim.   E la estava lá, sentada de pernas cruzadas, elegante como uma pin up moderna, toda de preto. Maquiada, tal qual uma Soiuxsie Sioux tropical, com um copo de uísque em uma das mãos e um cigarro no outro, dona do sorriso mais receptivo que eu já havia visto naqueles últimos cinco segundos. P ara tristeza do meu amigo cantor, naquele dia, eu não vi sequer um minuto do show da sua banda.  Passamos a noite, eu e aquela punkette , conver...

O triste fim de Renato Arnun.

     Que grande ironia! Viver quase 49 anos para morrer engasgado logo com um bagaço de laranja... Se eu soubesse que aquele seria o meu último dia de vida, eu nem teria ido trabalhar. Foi um dia duro aquele:  Passei a manhã tentando consertar uma máquina no trabalho, e foi bem estressante, por sinal. Pela tarde, bati o carro. Ao final do expediente, como sempre, o meu amigo Jorge apareceu na empresa e viemos conversando no caminho de casa.           Meu amigo Jorge é uma espécie de amigo imaginário de carne e osso. Ninguém sabe quem ele é e de onde veio. Um dia apareceu no meu trabalho, puxou conversa, e nunca mais deixou de ir lá. Some e aparece como que por encanto. Conversamos sobre tudo, principalmente sobre a situação política do país.     Na verdade,  nem sei se ele existe mesmo, tenho até um certo medo dele ser apenas um sintoma da minha esquizofrenia, mas o certo é que,  naquele dia fatal, ele estava comigo...

Tutorial: Como se livrar do ex renitente da sua parceira.

Ela tem um ex renitente.  O que fazer?  O  “ex renitente” é aquele ex-namorado,  da adolescência ou não,  que a tratava como um objeto,  e que,  em alguns casos,  foi o parceiro da primeira relação sexual dela.  Não tem como você nunca ter ouvido falar dele.  Se ela mesmo não tocar no assunto,   a família dela fará questão de te fazer tomar conhecimento da  existência dele. O ex renitente é assim chamado porque, volta e meia, é lembrado.  Ele é o genro preferido do sogrão.  Sim, porque, para o pai dela, ele sempre foi e continuará sendo seu genro.  Você, por mais que se esforce,  pode até passar a torcer pelo time do coração dele,  mas jamais substituirá o ex dela no coração daquele a quem chama de sogro.  Os irmãos menores dela lembrarão saudosos de como o ex  era bacana,  de como sempre lhes trazia presentes e,  principalmente,  de como você é tão diferente dele....

O segundo amor.

D uas mulheres são importantes para definir o que um ser humano será no futuro e como ele irá encarar o mundo pelo resto de sua vida.  Uma delas, claro, é a mãe, primeira e única, referência absoluta de todo que somos e que queremos ser. A mãe é um alicerce perfeito na vida de qualquer ser humano, o nosso primeiro amor. A sua falta deixará qualquer construção humana imperfeita. M as quero falar aqui do segundo anjo que nos aparece, assim que entramos em idade escolar: a primeira professora. Por conta de uma sociedade patriarcal, a função de professor primário, acho que nem se usa mais o termo, é, geralmente, dada a uma mulher. E é esta mulher que substituirá as mães em nossa primeira aventura fora do berço, nos preparando para abandonar o seio virtual e enfrentar o mundo lá fora. E eu tive a sorte e a bênção  de ter uma primeira professora carinhosa, da qual jamais esqueci, mesmo esquecendo como era seu rosto. Seu nome, Consuelo, jamais saiu de minha memória afetiva...

O dono da experiência.

E u vou chegando aos cinquenta anos, vou ficando mais velho e percebendo o quanto certas coisas são tolas e desimportantes em minha vida. É verdadeiramente uma pena que esta consciência só me chegue tão tarde, junto com os calos da vivência e as experiências do dia a dia, vividos e vivenciados em quase cinco décadas de vida. Me pego imaginando o que faria com esta experiência de vida que tenho hoje e meus vinte e poucos anos de idade. Certamente, Não teria cometido metade dos meus mais tolos erros acumulados neste verdadeiro jubileu de ouro de tropeços. E não foi por falta de aviso. Inúmeras vezes ouvi da boca de meu falecido pai que ele gostaria de ter a minha idade e a experiência de vida que ele tinha. E olha que, quando eu ouvia isto, ouvia de um homem de quarenta anos de idade, quase dez a menos do que eu tenho hoje. O utro dia, meu filho, que, saudavelmente, é um socialista aguerrido aos 26, ouviu de minha boca que eu só conversaria a sério com ele sobre ...