I magine que você está andando por um caminho cheio de facas afiadas, fincadas no chão e apontadas para cima. As facas estão por todo o lado e só existe espaço no chão para um passo de cada vez, cada passo do tamanho exato de seu pé. Você caminha atentamente entre aquelas facas tentando se equilibrar, mas você não pode cair nem deitar. Se deitar, morre transpassado pelas facas. Se cair, morre também. Você dá passos cada vez mais lentos, tentando desesperadamente se manter em pé, enquanto seu corpo lhe pede, também desesperadamente, que se deite e acabe logo com aquilo. P oderia ser um ótimo enredo para um filme de terror ou pesadelo, mas também poderia ser uma excelente alegoria para quem está no limite da sanidade. Estar à beira da loucura deve ser mesmo parecido com isto. O mundo atual não nos dá muitas opções de se manter como o coração tranquilo, a espinha ereta e a mente quieta, como naquela memorável canção de Walter Franco. Com a acelera...
Renato Jorge Araujo