Pular para o conteúdo principal

Postagens

LEMBRANÇAS DE WILSON EMÍDIO.

E sta é uma história sobre rock e amizade. Não importa muito se você nunca ouviu falar de  Wilson Emídio.  Certamente, se você gosta das duas ou de uma das coisas - rock e fazer amigos - , você vai gostar do que vai ler aqui. E m 1984, eu tinha uma banda de rock chamada Censura Prévia. Ensaiávamos na sala de estar de minha casa, assim como os Talking Heads ensaiavam na sala de estar do David Byrne no início da carreira. Tanto que, ao ver aquelas fotos do disco duplo ao vivo da banda  nova-iorquina,  me remeto imediatamente àqueles tempos. E, por mais incrível que possa parecer, nós tínhamos duas fãs. Eram duas vizinhas que não perdiam um ensaio, sentadas no sofá enquanto se balançavam, fazendo coreografias, rindo muito e tomando refrigerante. Um dia elas resolveram criar  um fã-clube para o nosso conjunto amador. Na verdade, elas mandaram uma carta para a revista Rock Stars,   uma publicação de quinta categoria, mas baratinha e acessível aos quebrados ...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XVI - GAROTO DE PLUTÃO

S e a primeira versão da LP e Os Compactos pendia mais para o rockabilly, a segunda - com o guitarrista Sidarta e o baterista Douglas  - estava muito mais para um combo punk/new wave. E foi com isso em mente que eu comecei a preparar as canções de "O Amor é Surdo", o disco. Ressuscitei uma canção de meu antigo grupo, Traidores do Movimento, chamada "Cinema de Arte" (já havia feito isso no primeiro disco com "Nasci Para Comer"), retirei uma frase que continha um palavrão ("Cinema de arte é coisa de viado" trocada por "Cinema de arte só de arte marcial") e acrescentei mais uns versos. " C inema de Arte" tem uma história curiosa: Foi feita para um amigo que só gostava de filme "cabeça" e criticava duramente o meu gosto cinematográfico. Fiz esta música em 1991, em homenagem a ele - quase como um insulto -  e ele, de fato, por pouco não se tornou meu inimigo por causa dela. Quando saiu o CD da LP , o amigo comprou seu exe...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XV - ROCK DA OVERDOSE.

Z é Mário estava verdadeiramente encantado com o que ele mesmo chamava de "minha melô", o  seu "Rock Da Overdose". Mas não deixou de aprontar. Convidou um amigo para assistir  um  ensaio - uma lendária figura do rock local - e disse para ele que eu tinha feito uma  música em sua homenagem. O artista foi para o ensaio, todo pimpão,  esperando uma letra que o enchesse de elogios e encontrou um texto ácido e irônico. Saiu do ensaio me xingando e querendo brigar comigo e eu, nem ao menos, sabia a razão. Quando a lenda viva do rock feirense se foi, o  nosso vocalista nos  contou, aos risos, que disse ao rocker que eu havia feito "Rock da Overdose" como uma homenagem a ele. M as não há nada ruim que não possa piorar. Pouco depois da visita dele eu resolvi incluir uma intro hard rock no tal rock da overdose. O show em que a música seria tocada pela primeira vez ocorreria na UEFS, a universidade estadual local, em uma apresentação conjunta justamente com a ban...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XIV - PIOR SEM ELE.

E u não me lembro bem de como foi e qual foi o último show com Ítalo mas lembro muito bem de como encontramos Douglas Cerqueira e vimos nele o baterista ideal para substituir o nosso Pete Best baiano.  Para variar, era mais um menino, que não tinha mais do que 14 anos na época. Stephen estava estudando em um colégio elitista da cidade e havia uma espécie de festival promovido pela instituição. Eu e Zé Mário fomos assistir ao festival  pois Stephen iria se apresentar. Eis que, quando aquele garoto com cara de invocado e camiseta dos Ramones começou a tocar, vislumbramos nele a solução de todos os nossos problemas percussivos. Ledo engano. Mas esta é uma história para mais adiante. Í talo continuava a faltar ensaios. Um dia, fomos em comitiva até a sua casa e o comunicamos da sua dispensa. Ele não recebeu a notícia muito bem e por muitos anos ficamos sem nos falar, ou, ao menos, com as relações estremecidas. Um dia, anos depois, Ítalo apareceu no meu trabalho. Andou de um lado d...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XIII - OH YEAH.

A inda faríamos alguns grandes shows com Ítalo na bateria. Com o sucesso das apresentações no Antiquário, às quintas, fomos convidados por Eudes, dono do bar Jeca Total, .para um desafio ainda maior. O bar funcionava todos os dias exceto às segundas feiras, mas na quarta, Eudes abria o estabelecimento por abrir, apenas por não ter nada melhor a fazer em casa. Casa que, aliás, ficava localizada em seu próprio bar. Ou o bar ficava em sua casa, dependendo do ponto de vista. F oi então que tivemos a ideia de aproveitar o horário sem movimento e fazer, semanalmente e indefinidamente, um evento a que chamamos de Quartas Regressivas. O repertório do primeiro disco já havia enchido o nosso saco, ainda não havia nada do que viria a ser o set list do segundo e, no mais, adorávamos tocar  aquelas covers aprendidas para as apresentações no Antiquário. E, afinal, porque não levar um pouco mais de cultura para este povo? A ssim,  ensaiamos  novamente as canções dos Troggs e de todos aq...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XII - VOCÊ MORREU PARA MIM.

A s vendas do nosso primeiro disco trouxeram algum caixa para a banda e o dinheiro era controlado por mim, inclusive por opção dos outros integrantes. Ítalo queria reformar a bateria, Stephen queria cordas melhores para o baixo, Zé Mário queria um som de voz melhor e eu achava que aquele dinheiro deveria ser investido em viagens para tocar nas cidades próximas e em um segundo disco, desta vez gravado em estúdio.  H ouve um momento em que brigamos por dinheiro. Mas não era, afinal, tanto dinheiro assim. E este foi um momento em que eu, por pouco, não me desliguei da LP. Aceitávamos qualquer convite para tocar e, geralmente, tocávamos de graça. Era a grana dos discos que fazia a roda girar. P ara tentar equalizar todas as demandas financeiras, resolvemos fazer uma série de apresentações mais baratas, sem PA, apenas com o equipamento básico, nas quintas-feiras, no bar Antiquário. As noites de quinta eram mornas no lugar e acertamos com o proprietário que faríamos shows intimistas, com...

A HISTÓRIA DA LP & OS COMPACTOS PARTE XI - AGITO E USO.

O nosso primeiro disco - que, na verdade, não passava de uma demo mal gravada - foi imediatamente jogado por mim mesmo nos programas de compartilhamento internet afora. Por uma daquelas razões que até a razão desconhece, o disco acabou sendo bastante compartilhado, compartilhado de novo e recompartilhado. Como a gravação era tão precária que parecia ter sido feita em algum porão da década de 60, o disco foi imediatamente confundido com as gravações obscuras das zilhões de bandas que surgiram na esteira de Renato & Seus Blue Caps e que passaram a ser chamadas de "brazillian nuggets", em referência à famosa série de coletâneas de bandas sessentistas norte-americana. F oi assim que "Os Brotos também amam" ganhou o mundo. Confesso que arregimentei todos os meus amigos jornalistas que - alguns meio contra a vontade - resenharam e até elogiaram o disco. Havia o burburinho de que "aquele grupo era o grupo do Renato Arnun", já que a minha carreira anterior de...