O
complexo de estúdios Abbey
Road, em Londres, entrou para a
história por ter sido o local da
gravação de praticamente todos os discos dos Beatles. Também se eternizaria por
ter batizado aquele que, de fato, é o último
álbum do conjunto, e pela foto de capa ter sido tirada bem em frente ao
lendário estúdio. Ainda foi em Abbey Road, ao mesmo tempo em que os Beatles
gravavam Sgt Peppers Lonely Hearts Club
Band, em 1967, no estúdio “A”, que um Pink Floyd, ainda com Sid Barrett, gravaria o seu
igualmente icônico The Piper at The Gates Of Dawn. O disco de estréia do Floyd
seria gravado no estúdio “B”, bem ao lado. Fala-se muito na troca de
influências entre os dois grupos, Beatles e Pink Floyd, durante a gravação de ambos os discos, mas os
estúdios Abbey Road também testemunharam o parto de inúmeros outros álbuns
memoráveis, e um deles foi gestado imediatamente após a finalização de Sgt. Peppers, exatamente naquele mesmo
estúdio “A”.
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Abbey Road Studios |

Mas, pelo jeito, ou havia boas bandas
demais em 1964 ou os ouvintes atentos estavam em falta no mercado, pois, a
despeito dos singles seguintes dos Zombies serem igualmente excelentes, e o
grupo ter feito um primeiro LP irrepreensível, a banda, simplesmente, não deslanchou.
Na segunda metade de 1967 resolveram se separar, porém, a gravadora CBS exigiu
que fosse gravado um segundo álbum, a título de cumprimento de contrato.

A CBS,
de tão desinteressada que estava dos Zombies,
os deixou absolutamente sozinhos no estúdio. Livres das pressões mercadológicas
de fazer um disco de sucesso, entraram nos Abbey
Road Studios dispostos a fazer um álbum o mais sincero possível, o mais
fiel ao que eles queriam realmente criar, desde o princípio da carreira, o que
eles gostavam de chamar em entrevistas de barroque
pop. Ainda que estivesse livres para compor e tocar o que quisessem, nem
tudo foi permitido pela gravadora. A faixa “A Rose For Emily”, por exemplo, deveria
ter sido acompanhada de um quarteto de cordas, cortado do orçamento por
determinação da companhia. Por conta disso, a banda resolveu manter a faixa com
o arranjo “demo” original, com apenas piano, o que, afinal, acabou deixando a música imensamente
mais simples e charmosa.
A
arte de capa,
encomendada ao colega de quarto de Chris White, veio com um terrível erro de
inglês, com a palavra odyssey grafada como “odessey” e ninguém parecia muito
interessado em corrigir. Após a gravação, o disco foi simplesmente recusado
pela CBS e engavetado para nunca mais ver a luz do dia. O que, evidentemente,
não foi o que acabou acontecendo. (Continua...)
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