
Quando "Too Late To Cry", o segundo disco do Widowmaker, foi lançado, em fevereiro de 1977, a recepção do público surpreendeu a todos e o álbum foi direto para lista dos 200 mais vendidos nos Estados Unidos. Parecia que finalmente chegara a hora do "mini-supergrupo", como era desdenhosamente chamado pela crítica, se transformar em superstars "de verdade". Porém, a saída repentina de Bob Daisley para formar o Rainbow de Ritchie Blackmore precipitou a crise e, exatas duas semanas depois do novo álbum vir ao mundo, a banda acabou.

Adquiri o "Too Late to Cry" da mesmíssima forma que comprei todos os meus discos da adolescência: no balaio, no saldo, na promoção. E foi paixão à primeira vista e audição idem, paixão esta que dura até hoje, sendo este um dos melhores discos de rock and roll que já pude ouvir na vida. O lado A começa com a faixa título, um pulsante blues-rock com ares new wave. Segue com "The Hustler" e sua introdução hard que descamba para um reggae deliciosamente descarado, com direito até a marimbas. "What a way to fall" é um hard blues pesado e denso com uma riff de guitarra marcando quase toda a canção. "Here Comes The Queen" é uma balada country bem ao gosto norte-americano, feita sob medida para agradar o público alvo da banda. "Mean What You Say", um hard rock com tinturas pop, encerra o primeiro lado do álbum.
O lado B recomeça com outro blues rock , com forte eco de Rolling Stones,. "Something I Can Do Without". Segue com a divertida "Sign The Papers", com tinturas soul, e desemboca na stoníssima Pushin' and Pullin', disparadamente a melhor do disco, encerrando com a mediana "Sky Blues".
John Butler viria a ser mais conhecido no futuro como o vocalista da banda oitentista Diesel Park West. Dos outros integrantes, pouco se falou ou fizeram de relevante após o fim do projeto. "Too Late to Cry" é um dos vinte discos que eu gostaria de levar comigo quando morresse, para ouvir, fosse no céu ou no inferno. Por isto, sem dúvida, é um dos meus tesouros da juventude.
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