THE BYRDS PLAY DYLAN – The Byrds (1979) - Comecei a comprar discos no final da década de 70. Como todo adolescente de classe média, ainda mais no meu caso, que era de classe média baixa, vivia sem dinheiro e o pouco que caia em minha mão torrava todo em LPs e compactos. Como a grana era pouca, remexia sempre as sessões de promoções das lojas de discos atrás de velhas novidades. Comprava basicamente álbuns de disco-music, geralmente coletâneas, abundantes após a decadência do estilo.
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A edição de 1979 |
Me interessar por rock mesmo, me interessei exatamente no início dos anos 80, quando uma enorme rede de lojas de discos da minha cidade começou a fazer água. Havia, em Feira de Santana, literalmente, uma loja da Tom Discos em cada esquina. O poderio da rede de lojas era tão grande que as lojas de Salvador não se atreviam a colocar os pés na cidade evitando abrir filiais por aqui.
Não sei exatamente o que aconteceu com a Tom Discos, mas sua falência pode estar relacionada à uma mega compra feita pela empresa junto à gravadora CBS, hoje Sony-BMG. Foram milhares de títulos adquiridos que encheram as prateleiras daquela cadeia de lojas: “The River”, álbum duplo do Bruce Springsteen; o discaço “Dream Police” do Cheap Trick, e a tijolada que era o “Glass Houses”, o disco power-pop de Billy Joel, todos recém-lançados e a preços de fazer rir qualquer discófilo. Entre eles, estava outro lançamento, a coletânea “The Byrds Play Dylan”, dos The Byrds.
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A edição de 2002 |
É importante ressaltar que, em 1980, aos 13 anos, quando adquiri este disco, eu não fazia a mínima ideia de quem seriam os Byrds e Bob Dylan era apenas uma vaga lembrança na minha memória. Eu não sabia que os Byrds foram os responsáveis pela definitiva eletrificação da folk music, que eram considerados os grandes intérpretes do bardo nova-iorquino, sequer se eram americanos ou ingleses.
Fora uma compra motivada, única e exclusivamente, pelo método uni-duni-tê. Não me lembro muito bem qual disco deixei na prateleira para levar este dos Byrds, mas se a mente não me prega peças, foi um da banda de black music chamada Tower Of Power. Vejam que coisa, em vez de uma geração de roqueiros feirenses, eu poderia ter formado uma geração de funqueiros, bastava ter feito a escolha errada. Ou certa, sabe-se lá.
Com o passar do tempo descobri que se tratava de uma coletânea muito bem montada de canções de Dylan brilhantemente regravadas pelos Byrds ao longo da carreira. Praticamente todas as faixas deste disco ouvi primeiro com eles, só conhecendo as versões originais algum tempo depois. De fato, a única canção do álbum que considero inferior à gravação de Dylan é “Lay Lady Lay”, muito pelo coral mixado muito alto presente no início e pontuado no restante da gravação. “This Wheel’s On Fire” é tão superior á versão de Dylan com a marcação feita por uma simpática guitarrinha fuzz, que se torna praticamente impossível ouvir a gravação original.
A guitarra dedilhada de Roger (Jim) McGuinn se tornou uma verdadeira referência em meu gosto musical. Com o tempo adquiri outros discos dos Byrds, Lps de artistas fortemente influenciados por eles, mas a preferência por “The Byrds Play Dylan” como meu disco favorito da banda nunca mudou.
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The Byrds |
Mantive a mesma cópia em LP em minha prateleira durante anos até quando abri a Muzak discos e a coloquei para vender, junto com meus outros discos. Algum tempo depois, comprei a versão em CD que mantenho até hoje. Passadas três décadas e meia, “The Byrds Play Dylan” ainda é um dos meus discos-cotonete, massageadores do meu ouvido e , quando ouvido, responsável por uma limpeza geral nas regiões auriculares.
Em 2002 saiu uma edição "revista e aumentada" deste disco, com outra capa e 20 músicas, mas o charme da edição original de 1979 não foi superado.
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