O número 48 é múltiplo de 4, isto qualquer um
com o mínimo conhecimento em matemática sabe muito bem. E que, 48 dividido
por 4 dá 12, isto não é também nenhuma novidade. Acontece que 48 é a minha idade
atual, pelo menos, até as 19:30 de hoje, dia 20 de setembro, quando o calendário vira para mim e completo
49 anos de idade.
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Foto: Anne Jessant |
Nas primeiras quatro semanas de meu
Janeiro, fui um menino feliz, inocente como são todas as crianças até os quatro
anos de idade. Sobrevivente de um problema grave de saúde, e com minha mãe me
criando sozinho, sem pai, me tornei o menino rosado e rechonchudo que todas as
vizinhas queriam tomar conta e apertar as bochechas.
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Com Sheila Nunes, irmã, uma de minhas metades. |
Em junho entrei para a faculdade em
Salvador e fui cursar jornalismo. Na segunda semana daquele junho conheci a mais
bela morena soteropolitana e me casei. Casei e engordei. No dia de São João me
tornei pai. Sugeriram que se chamasse João, preferi Stephen Ulrich. Deus me clonou sem me avisar. Até o final do
ano eu me daria plena conta disso.
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Comigo mesmo, na versão feminina: Anne Jessant. |
Em setembro, realizei outro sonho, o de
ser reconhecido como músico e compositor. Inventei uma banda e fiz dela
desconhecida até mesmo fora do país. Em outubro, a bela morena me deixou e eu
fiquei só. Só de todo mundo, só dos amigos, só da família, só do mundo. Já
estava até me acostumando a ser só quando, em novembro, em uma esquina do Orkut,
ela me encontrou e levou para casa. Ela foi o anjo que novembro trouxe para
mim. Com ela veio um anjinho, que Deus me incumbiu de cuidar, a minha filha.
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Stephen Ulrich, filho, outra de minhas metades. |
Se chegarei ao final deste segundo ano
que começa amanhã, eu não sei. Não sei nem quero saber. Quero é viver, como
bem disse o bardo português António Variações, morto ainda em seu próprio outubro. E sejam
todos bem vindos ao primeiro dia do segundo ano do resto da minha vida. Bom réveillon
para mim mesmo.
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