Pular para o conteúdo principal

BEM VINDO AO PLANETA VIRGEM.

Todo virginiano que eu conheço é meio maluquinho, um tanto paranoico e muito, mas muito sistemático.  Ainda não conheci um sequer que fugisse a esta regra. Eu mesmo, sou um típico ser de virgem e a prova viva do que estou afirmando. Claro que sempre haverá algum virginiano enrustido, inconformado, que afirmará de pés juntos que não se enquadra neste perfil. Mas até nisto ele é virginiano: alguém deste signo que se preze jamais aceitará que lhe analisem  e imponham rótulos, que lhe encaixem em qualquer medida pré-determinada.

Como um bom agnóstico, não acredito nem desacredito em absolutamente nada cuja existência não possa ser comprovada ou não provada. Mas a influência dos astros sobre o comportamento humano, por mais absurdo que possa parecer, é confirmada  pelas semelhanças entre pessoas  que conheço – e não se conhecem – que, nascidas no mesmo mês astral, guardam enormes similaridades entre si.

Bem, o virginiano costuma conseguir feitos que a maioria das pessoas de outros signos  simplesmente não alcançam. Não, ao menos, com a mesma facilidade. Por exemplo, aquela dieta que vamos começar  segunda-feira. O habitante do planeta Virgem realmente começa a dieta na segunda.  

E quem mais indicado para cumprir as famosas metas de fim/início de ano que todos os outros seres humanos não  conseguem cumprir, senão o nosso amigo do signo de virgem? Eu, claro, estabeleci  as minhas metas desde o primeiro dia do ano  e, virginiano exemplar que sou, comecei a cumprir parte delas ainda em meados do mês de dezembro, só para garantir. E olha que tenho conseguido. Muito pouca coisa que planejei começar a fazer este ano ainda não está sendo posta em prática.

Porém esta espécie de agenda virtual – virtual no sentido que está tudo bem guardado na sua  própria cabeça - do virginiano, se o mantém equilibrado e focado, também acaba lhe trazendo uma enorme angústia quando algo sai da rota planejada. Em uma viagem, por exemplo,  o virginiano típico tem que saber onde vai, com quem vai, como vai, quanto gastará, se não sofrerá sobressaltos no percurso.  Um pneu furado é um incidente aceitável, um estepe vazio é algo parecido com o fim do mundo. 

Da mesma forma - e pode parecer contraditório  mas não é - o improviso é a sua melhor arma para reverter as adversidades.  O virginiano sempre terá um “Plano Z” guardado na manga para as horas incertas. Mas ele fará o possível e o impossível para que nunca seja preciso chegar ao fim do alfabeto.  Porém,  ele sabe que, em último caso, sempre poderá contar com o alfabeto grego e dar início a um salvador “Plano Alpha”.

Assim, caso as metas para o ano não se concretizem como o virginiano espera, ele sempre poderá fazer uma pequena adaptação, uma ligeira retomada de rota. Virginiano amigo, não se torture tanto pelas coisas nem sempre saírem como você planeja. Relaxe um pouco sem perder o foco. E se não for possível relaxar, esqueça esta besteira de astrologia e seja feliz. Porque a felicidade também pode ser planejada. Fica a dica.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A CARTA ANÔNIMA

 Quando eu era menino, ainda ginasiano, lá pela sexta série, a professora resolveu fazer uma dinâmica bastante estranha. Naquele tempo ainda não tinha esse nome mas acho que ela quis mesmo fazer uma dinâmica, visto pelas lentes dos dias atuais. Ela pediu que cada aluno escrevesse uma carta anônima, romântica, se declarando para uma outra pessoa.  Eu confesso que não tive a brilhante ideia de escrever uma carta anônima para mim mesmo e assim acabei sem receber nenhuma carta falando sobre os meus maravilhosos dotes físicos e intelectuais. Já um outro garoto, bonitão, recebeu quase todas as cartas das meninas da sala. E sabe-se lá se não recebeu nenhuma carta vinda de algum colega do sexo masculino, escrita dentro de algum armário virtual. Eu, é claro, escrevi a minha carta para uma menina branca que nem papel, de óculos de graus enormes e um aparelho dentário que mais parecia um bridão de cavalos. Ela era muito tímida e recatada, havia nascido no norte europeu mas já morava...

Deus prefere os ateus.

N ão sou ateu. Até já pensei que era, mas não, realmente, eu não sou. Isto não me faz melhor ou pior do que ninguém, mas eu realmente acredito em um Deus Criador. Bem que eu tentei ser ateu, mas a minha fé inexplicável em alguma coisa transcendental nunca me permitiu sê-lo. Também não sou um religioso, eu sou apenas um crente, ainda que tal palavra remeta a um significado que se tornou bastante negativo com o passar do tempo. Q uando falo aqui em ateu não falo daqueles ateus empedernidos, que vivem vociferando contra Deus, confundindo-o de propósito com o sistema religioso que O diz representar. Estes são até mais religiosos que os próprios religiosos, ansiosos de que convencerem os outros, e a si mesmo, de que um Deus não existe. Quando menciono os ateus a quem o Divino prefere, eu me refiro àquele tipo de pessoa que não se importa muito se Deus existe ou não, mas, geralmente, são gentis, solícitos, generosos, éticos e muito mais honestos que muitos religiosos. E u bem que tent...

LEMBRANÇAS DE WILSON EMÍDIO.

E sta é uma história sobre rock e amizade. Não importa muito se você nunca ouviu falar de  Wilson Emídio.  Certamente, se você gosta das duas ou de uma das coisas - rock e fazer amigos - , você vai gostar do que vai ler aqui. E m 1984, eu tinha uma banda de rock chamada Censura Prévia. Ensaiávamos na sala de estar de minha casa, assim como os Talking Heads ensaiavam na sala de estar do David Byrne no início da carreira. Tanto que, ao ver aquelas fotos do disco duplo ao vivo da banda  nova-iorquina,  me remeto imediatamente àqueles tempos. E, por mais incrível que possa parecer, nós tínhamos duas fãs. Eram duas vizinhas que não perdiam um ensaio, sentadas no sofá enquanto se balançavam, fazendo coreografias, rindo muito e tomando refrigerante. Um dia elas resolveram criar  um fã-clube para o nosso conjunto amador. Na verdade, elas mandaram uma carta para a revista Rock Stars,   uma publicação de quinta categoria, mas baratinha e acessível aos quebrados ...