O rock tem segredos
muito bem guardados e um deles chama-se Jonathan
Richman. Adorado por nove entre dez roqueiros influentes das décadas de 80
e 90, é solenemente ignorado pelos fãs destes mesmos roqueiros influentes. Muita gente boa que
idolatra bandas como Wilco, Belle
& Sebastian e Those Young Adults, poderia
olhar um pouco para trás e descobrir de onde vem tanto lirismo: do violão de
nylon do músico americano.

Ainda em 69, antes de
retornar a Boston, formou o grupo Modern
Lovers com Chris Frantz, que
depois viria a ser integrante dos Talking Heads e Marky Ramone, que viria a ser
baterista vocês sabem de que banda. Esta encarnação dos Lovers não gravaria
oficialmente nenhum disco, embora se tornasse uma lenda entre os fãs de
Jonathan Richman.
Em 1977, um single
lançado na Inglaterra com a música Egyptian
Reggae traria no lado b a
canção Roadrunner, gravada
pelos Modern Lovers originais e nunca editada comercialmente. A garotada , na
efervescência do movimento punk, virou o lado e começou a ouvir Roadrunner noite e dia. Um comercial na TV do
boneco do personagem homônimo ("Roadrunner" é ninguém menos que o
nosso simpático "Papa-léguas") fez o resto com Richman se tornando
uma espécie de punk hero com direito a ser regravado pelos Sex Pistols. O interesse pela
antiga formação da banda de Jonathan fez com que um disco reunindo as
"gravações perdidas" fosse editado. Os Lovers originais finalmente
ganhavam um registro à altura da lenda.
Jonathan passa longe da unanimidade. Alguns o odeiam, muitos o amam. Poucos se negam a constatar o talento em escrever canções pseudo fúteis onde exerce um humor hilário mas contundente. Grava quase sempre sem overdubs (todos os instrumentos ao mesmo tempo, ao contrário da maioria dos artistas, que gravam um instrumento por vez), sua "banda" é composta dele mesmo mais um baterista com um kit mais que básico (caixa, bumbo e prato), um baixista que toca um baixo acústico, daqueles enormes, e eventuais guitarristas e saxofonistas.
Suas canções versam sobre temas que vão da infância à idade adulta. Enquanto em "Try a little tought" discerne amargamente sobre o fim de um relacionamento onde se sentia aprisionado, em "I'm a Little Airplane" se entrega à uma brincadeira de "ser um aviãozinho" junto com os inseparáveis Modern Lovers. As melodias e os arranjos reproduzem os mais adoráveis clichês dos anos 50 e 60 sem em nenhum momento cair na obviedade. É muito comum alguém ouvir uma canção de Jo-Jo e pensar que se trata de uma cover, para depois descobrir maravilhado que se trata de um original.
Em 86, Jonathan vai à
Inglaterra para gravar seu melhor disco, o clássico It's Time For, na Rough Trade, a convite de Andy
Paley, produtor de sucesso que, nas horas vagas, era integrante não oficial dos Modern Lovers. Em 1990, lança o
autoexplicativo "Jonathan Goes Country", e se impõe um autoexílio
que só seria quebrado em 1993. com não mais um clássico, e sim dois: "Ï,
Jonathan" e "Te Vas A Emocionar", todo cantado em espanhol.
Jonathan havia descoberto como era querido pela comunidade hispânica nos
Estados Unidos e nos países de língua espanhola e resolveu homenagear seus fãs
latinos. O resultado pode até não ter sido dos melhores, mas fica a pergunta:
Quantos rockstars fizeram isto antes ou depois de Jo-Jo?.
Em 1998, Jonathan participa do filme Quem Vai Ficar Com Mary?, como uma espécie de trovador que pontua as cenas do filme com pequenas canções descritivas. Este também não ganhou o Oscar. Em 2001, aos 50 anos, lança o adulto "Her Mistery Not of High Heels And Eye Shadow", considerado por muitos seu melhor disco. Em 2004, Richman está preparando um novo álbum e promete mais uma surpresa, desta vez destinado ao público de língua portuguesa: o artista pretende gravar sua primeira canção na língua de Camões. Vai nos emocionar.
(Publicado originalmente em 2004. A canção em português, "Cerca", nunca foi lançada comercialmente mas é encontrável em bootlegs.)

Jonathan passa longe da unanimidade. Alguns o odeiam, muitos o amam. Poucos se negam a constatar o talento em escrever canções pseudo fúteis onde exerce um humor hilário mas contundente. Grava quase sempre sem overdubs (todos os instrumentos ao mesmo tempo, ao contrário da maioria dos artistas, que gravam um instrumento por vez), sua "banda" é composta dele mesmo mais um baterista com um kit mais que básico (caixa, bumbo e prato), um baixista que toca um baixo acústico, daqueles enormes, e eventuais guitarristas e saxofonistas.
Suas canções versam sobre temas que vão da infância à idade adulta. Enquanto em "Try a little tought" discerne amargamente sobre o fim de um relacionamento onde se sentia aprisionado, em "I'm a Little Airplane" se entrega à uma brincadeira de "ser um aviãozinho" junto com os inseparáveis Modern Lovers. As melodias e os arranjos reproduzem os mais adoráveis clichês dos anos 50 e 60 sem em nenhum momento cair na obviedade. É muito comum alguém ouvir uma canção de Jo-Jo e pensar que se trata de uma cover, para depois descobrir maravilhado que se trata de um original.

Em 1998, Jonathan participa do filme Quem Vai Ficar Com Mary?, como uma espécie de trovador que pontua as cenas do filme com pequenas canções descritivas. Este também não ganhou o Oscar. Em 2001, aos 50 anos, lança o adulto "Her Mistery Not of High Heels And Eye Shadow", considerado por muitos seu melhor disco. Em 2004, Richman está preparando um novo álbum e promete mais uma surpresa, desta vez destinado ao público de língua portuguesa: o artista pretende gravar sua primeira canção na língua de Camões. Vai nos emocionar.
(Publicado originalmente em 2004. A canção em português, "Cerca", nunca foi lançada comercialmente mas é encontrável em bootlegs.)
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