Em algum momento da década de 80, o músico inglês Stephen Patrick Morrissey, então vocalista da seminal banda The Smiths, foi eleito pelos leitores de uma revista de música qualquer, "o ser humano mais maravilhoso do mundo". Se, já naquela época, tal afirmação parecia temerosa demais para adjetivar uma única pessoa, hoje, certamente, só seria pronunciada por algum fã mais radical.


O cantor e compositor reclama de não ter gravadora. reclama do download gratuito, - que, segundo ele, teria "matado a música" - , reclama de um artista do seu porte não poder se aposentar e ter que rodar o mundo fazendo shows para uma plateia cada vez mais envelhecida. Enfim, "a pessoa mais maravilhosa do mundo" reclama. E reclama demais.
Léo Jaime, que também fez um estrondoso sucesso nos anos 80 e passou um enorme período afastado do mundo artístico, certa vez disse que "nos anos 80 eu acreditava que a Terra não giraria sem mim e percebi, ao me afastar, que a minha ausência não fazia a menor diferença". Talvez, Morrissey, ao contrário do brasileiro, não tenha se dado conta que o seu "excesso de presença" não trouxe nenhum benefício à sua carreira. Isto de insistir em lançar um disco atrás do outro - fato que ocasionou a rescisão de contrato com a Universal Music - trabalha contra a relevância de qualquer músico, inclusive ele.
Talvez fosse a hora do bardo inglês sair um pouco de cena e ir curtir umas merecidas férias em qualquer rincão triste e solitário do mundo. Seria muito interessante que um artista do seu porte pudesse repensar suas atitudes, sua carreira, compor coisas mais interessantes e retornar em grande estilo em um futuro breve, tendo, enfim, se reinventado. Morrissey pode até achar que não precisa de um merecido descanso, mas, certamente, o mundo precisa tirar um pouco de férias dele.
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