Por Oqueane Jessant e Renato Jorge Araujo
Para falar do filme "O milagre de Anne Sullivan" ("The Miracle Worker", 1979, EUA) é preciso antes citar um outro filme, "Tommy", a ópera-rock dirigida por Ken Russel, inspirada em um disco homônimo da banda inglesa The Who. Produzido dez anos antes, em 1969, Tommy conta a história de Tommy Walker, um menino que se torna cego, surdo e, consequentemente, mudo, após presenciar o assassinato do próprio pai. O garoto se cura jogando Pinball, uma espécie de fliperama, avô dos games atuais.
No musical, a fantasia faz com que o garoto Tommy se torne cego, surdo e mudo e reverta sua condição plenamente. No filme de 1979, uma história real, a garota Hellen Keller se transforma em adulta superando as suas enormes limitações, graças ao auxílio de uma preceptora que a acompanhará pelo resto da vida.
No filme “O Milagre de Anne Sullivan”, uma história baseada em fatos reais, a garota Hellen Keller, cega e surda, passa por um processo de transformação radical em seu desenvolvimento e na sua adaptação ao mundo a partir da chegada da sua preceptora Anne Sullivan. A dedicação e empenho da professora levaram Hellen a superar as limitações físicas e a reorganizar estruturas psíquicas, motoras e socioafetivas a partir da mediação pela linguagem.

Hellen foi uma criança absolutamente normal até quase os dois anos de idade. Com 19 meses, provavelmente vítima de escarlatina ou meningite, passou a não ouvir e enxergar. Ainda assim conseguiu aprender um vocabulário de cerca de sessenta sinais até os 7 anos, quando conheceu a mulher que mudaria a direção de sua vida.
De uma espécie de "bicho de estimação" da família, a quem eram feitas todas as vontades, a garota verdadeiramente desabrochou para o mundo, dentro de suas possibilidades, a partir do contato com Anne Sullivan, quase cega, habituada a ensinar cegos e contratada para ensinar-lhe o mínimo para que a menina pudesse viver dignamente.

Como ensinar a uma criança cega e muda conceitos tão básicos como a água, a terra, o ar, ou abstratos como amor e tristeza? Quando Anne Sullivan chega à casa dos Keller para enfrentar o desafio, enfrenta o preconceito do pai de Helen que, se pergunta como uma cega poderia ensinar outra cega. Aos 7 anos, a menina Helen conhecia um repertório de cerca de 60 sinais, sendo tratada com extrema proteção pelos pais. O primeiro passo da professora Anne foi tirar a pequena Hellen do pedestal de superproteção em que seus pais a colocaram. Para isto, em um primeiro momento, torna-se uma verdadeira megera na vida da criança.
Para alcançar seus objetivos, Anne muda-se com Hellen para uma casa afastada, onde chega a algum progresso à duras penas. De volta à sua casa, para um jantar com a família da garota, Hellen a desafia à mesa e, para desespero da professora, seus pais decidem não continuar a experiência.
Ao logo do filme, sob uma analise mais apurada,
percebe-se que Ellen passa por diferentes estágios em relação ao
desenvolvimento das suas estruturas psíquicas, iniciando de um plano
tátil-cinestésico, pura exploração motora, e paulatinamente vai construindo
esquemas de representações mentais que lhes permitem evoluir a níveis mais
elaborados de pensamento. O que corrobora com a teoria de Piaget, sobre a
gênese do conhecimento no sujeito epistêmico. Tal teórico afirmou que os indivíduos
na construção de suas representações do mundo passam por fases bem marcadas e
definidas, a partir do desenvolvimento de esquemas (padrões de comportamento ou
ações que se desenvolvem de forma organizada) que englobam processos de
acomodação e assimilação e nesse sentido vai evoluindo do plano motor passando
por alguns estágios até chegar ao nível das abstrações, forma mais evoluída do
pensamento

Mas a persistência de Anne Sullivan fez com que Hellen não apenas se superasse como indivíduo, mas se tornasse uma ativista social renomada, além de escritora, jornalista e bacharel em filosofia. Um grande exemplo para gente que, ainda que lhe falte apenas um dedo, ache desnecessário estudar.
Porém, toda história tem dois lados, e há quem acuse Anne Sullivan de controlar Hellen Keller. Mesmo quando a jornalista casou-se, Anne SUlivan a acompanhou só tendo se separado por ocasião da sua morte em 1936. hellen Keller faleceria em 1968, tendo deixado diversos livros escritos e, pelo menos, uma frase célebre: See no Evil, hear no evil" (não veja nem ouça o mal). O mal talvez tenha mesmo vivivo perto demais de Keller por aqueles anos todos.
Porém, toda história tem dois lados, e há quem acuse Anne Sullivan de controlar Hellen Keller. Mesmo quando a jornalista casou-se, Anne SUlivan a acompanhou só tendo se separado por ocasião da sua morte em 1936. hellen Keller faleceria em 1968, tendo deixado diversos livros escritos e, pelo menos, uma frase célebre: See no Evil, hear no evil" (não veja nem ouça o mal). O mal talvez tenha mesmo vivivo perto demais de Keller por aqueles anos todos.
Comentários