Pular para o conteúdo principal

Todo santo dia de natal.


Todo santo dia, ao acordar, eu peço a Deus, apenas três coisas: Conseguir entendê-Lo melhor,  amá-Lo mais ardentemente e segui-Lo mais fielmente. Sei que, uma vez alcançado  este aparentemente tão modesto objetivo, terei compreendido melhor as pessoas à minha volta, as terei amado com mais ardor e transformado as relações conflituosas em passividade pacífica. E tudo isto, há de ser feito diariamente.

Dia após dia, quando acordo, eu não peço ao Senhor riquezas materiais, conquistas financeiras ou outras coisas do tipo. Aliás, antes mesmo de pedir, eu agradeço. Agradeço, porque um dia estive perdido, cansado e sozinho. Sumido em trevas de abandono, curvei os joelhos em prantos e Lhe pedi direção. Pedi que me tirasse daquela letargia em que estava vivendo e do sofrimento em que havia me afundado. E, sim, Ele me atendeu.

Foi então que o Senhor me amparou, abraçou e secou todas as minhas lágrimas. Me disse que o caminho à frente não seria fácil de ser trilhado e perguntou-me se eu estava realmente preparado para o que viria e viveria. Não lhe perguntei como e porque, apenas o segui.

Todo santo dia eu continuo pedindo ao Senhor as mesmíssimas três coisas: Clareza de pensamento, coração aberto para receber e retribuir o amor  dos que me amam, rebater o ódio dos que me odeiam com um pouco de amor  e uma fé cada vez mais firme. Ao final, tudo isto é uma coisa só: Me encontrar comigo mesmo afastando o meu ego para bem longe. Que todo santo dia do ano todos possam ter este encontro pessoal com Deus, que nada mais é que um encontro, antes de qualquer outra coisa, com a nossa própria alma. Que todo santo dia seja leve e otimista como o dia do natal. Que todo santo dia seja mesmo dia de natal. E que nunca nos esqueçamos daquele outro dia cada vez mais distante em que dobramos os joelhos em desespero e imploramos pela paz de espírito, afinal alcançada.

(Inspirado em "Day by day", tema da peça teatral e filme "Godspell")



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

EU TE AMO VOCÊ

Já parou para pensar na futilidade e até mesmo na banalidade das canções pop? No filme "Mais e Melhores Blues" o personagem de Denzel Washington faz uma longa e divertida explanação sobre o uso da palavra tonight (noite) no pop anglofônico enquanto improvisa um jazz. Apesar da noite já ter sido cantada em verso e verso no pop brasileiro, o equivalente tupiniquim ainda é o velho e bom "eu te amo". O compositor brasileiro é um autêntico romântico. Romântico no sentido literário do termo. Em sua imensa maioria, o letrista pop nacional ainda não atingiu o parnasianismo, quiçá o modernismo. E aí não vai nenhuma crítica. Eu mesmo, enquanto letrista, sou também um autêntico romântico, ao menos na maioria das vezes. Está em nossas veias latinas a vontade de amar, sofrer e decantar o amor. E estou falando aqui do acessível, do que toca no rádio - o que não é muito meu caso, bem verdade - ou do que é feito com a má intenção de tocar - o meu caso. É claro que o alegado romanti...

(A história da música) Gigante.

Q uando eu me separei da primeira esposa, eu estava exatamente como Zeca B aleiro se descreveu na música Telegrama : " T ristinho", " s ozinho" e "mais solitário que um paulistano".  No primeiro aniversário que passei separado, visivelmente depr imido, uma amiga saiu comigo e me levou a um shopping para comprar o presente que ela queria me dar "para me animar": Um DVD da sua banda preferida, os "Los Hermanos". N ão bastasse eu, simplesmente, detestar a banda de Camelo e Amarante -  à exceção de "Anna Julia", uma baita música , da qual gosto até hoje - , ainda que imbuída das melhores intenções, a minha amiga pretendia me "animar" me dando de presente a trilha perfeita (para mim) para um suicídio. Diga-se o que quiser dos Los Hermanos , mas, não há nada na obra do grupo, nem mesmo "Anna Julia",  que possa ser adjetivado como  "divertido" ou "animado". F uçando os títulos di...

O SONHO

  Oi. Hoje eu sonhei contigo. Aliás, contigo não. Eu sonhei mesmo foi comigo. Comigo sim, porque o sonho era meu, mas também com você, porque você não era uma mera coadjuvante. Você era a outra metade dos meus anseios juvenis que, quase sexagenário que sou, jamais se concretizaram. Não que a falta de tais anseios me faça infeliz. Não faz. Apenas os troquei por outros, talvez mais relevantes, talvez não. Hoje de madrugada, durante o sonho, eu voltava a ter 20 anos e você devia ter uns 17 ou 18. Eu estava de volta à tua casa, recebido por você em uma antessala completamente vazia e toda branca. Branca era a parede, branco era o teto, branco era o chão. Eu chegava de surpresa, vindo de muito longe. Me arrependia e queria ir embora. Você  queria que eu ficasse, queria tirar minha roupa ali mesmo, queria que eu estivesse à vontade ou talvez quisesse algo mais. Talvez? Eu era um boboca mesmo. Você era uma menina bem assanhadinha, tinha os hormônios à flor da pele e eu era a sortuda ...